Paquistão revida e dispara mísseis contra caças indianos
Associated Press
De Islamabad
O Paquistão disparou ontem mísseis antiaéreos contra caças indianos, mas desmentiu ter atirado contra helicópteros que estavam levando jornalistas ao local onde, na terça-feira, foi abatido um avião paquistanês com 16 pessoas a bordo.
Em Nova Délhi, o Ministério da Defesa acusou o Paquistão de disparar contra os dois helicópteros MI-17 e contra os caças que os estavam escoltando e de querer intensificar a crise.
O segundo incidente em dois dias entre os dois países rivais ocorreu poucas semanas após um conflito na disputada região da Caxemira que ameaçou levar a Índia e o Paquistão a um quarto conflito bélico. Os dois já travaram três guerras, duas pela Caxemira, desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1947.
Em maio, rebeldes separatistas infiltraram-se no lado indiano da Caxemira, segundo Nova Délhi, apoiados por soldados paquistaneses. A Índia lançou uma dura ofensiva contra os guerrilheiros islâmicos que só terminou depois que o primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, conseguiu convencer os separatistas a abandonar a Caxemira indiana.
A Índia reiterou ontem que o avião paquistanês, Berguet Atlantique, de origem francesa, foi derrubado na terça-feira depois de ter penetrado cerca de dez quilômetros no território indiano de Gujarat, mas admitiu que partes da fuselagem caíram sobre o lado paquistanês.
O Paquistão, por sua vez, desmente que a nave fosse um avião de reconhecimento em missão de espionagem sobre o território indiano, acrescentando que estava desarmado. O avião voava a uma altitude de 2,3 mil a 3 mil metros, visível aos radares, incluindo os indianos, o que não teria ocorrido se ele estivesse em missão de espionagem, declarou o almirante paquistanês Aziz Mirza.
O ministro da Defesa indiana, George Fernandes, disse que o Atlantique poderia ter recebido a missão de explorar possíveis rotas de invasão. Ele acrescentou que os pilotos dos caças interceptadores temiam que o avião estivesse armado.
O Paquistão e a Índia retiraram partes do avião derrubado que aparentemente ficaram espalhadas nos dois lados da fronteira e cada governo acusou o outro de provocar a nova crise. No entanto nenhum dos corpos das 16 pessoas que, segundo Islamabad, estavam a bordo do Atlantique, foi localizado.
O governo de Islamabad, o qual advertiu na terça-feira que se reservava o direito de levar adiante uma retaliação, informou ontem ter instalado mísseis terra-ar no lugar onde foi derrubado o avião de reconhecimento, cerca de 50 quilômetros a sudeste da localidade de Badin e a poucos quilômetros da fronteira com a Índia.
O chanceler paquistanês, Sartaj Aziz, anunciou ontem que Islamabad pôs suas Forças Armadas em alerta pouco depois de o Atlantique ter sido atingido.





