São Paulo - O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, afirmou ontem que os EUA ameaçaram atacar seu país caso ele se recusasse a cooperar com a invasão do vizinho Afeganistão para depor a milícia Taleban, após os ataques terroristas de 11 de Setembro.
Musharraf deu as declarações ontem em entrevista à CBS, que irá ao ar no próximo domingo. Segundo ele, a ameaça foi feita pelo vice-secretário de Estado americano, Richard Armitage, ao chefe da inteligência paquistanesa.
''O diretor (da inteligência) me disse que as palavras (de Armitage) foram: ''Estejam preparados para serem bombardeados. Estejam preparados para voltar à idade da pedra'', afirmou o líder paquistanês, acrescentando que considerou as ameaças americanas ''muito rudes''.
O governo dos EUA não comentou as declarações de Musharraf, que se encontra em Washington e deve se reunir com Bush na Casa Branca hoje. O líder do Paquistão afirmou que seu governo reagiu às ameaças de maneira ''responsável''. ''É preciso pensar e tomar ações em favor do interesse da nação, e foi o que fizemos'', afirmou.
Antes dos ataques de 11 de Setembro, o Paquistão era o único país a manter relações com o governo afegão da milícia Taleban, que abrigava o líder terrorista saudita Osama bin Laden.
No entanto, após os atentados, o governo de Musharraf cortou as relações com o regime Taleban e concordou em cooperar com os esforços dos EUA para capturar membros da Al-Qaeda e da milícia Taleban refugiados em território paquistanês.
Documentos do governo americano apontam que Armitage se reuniu com o embaixador paquistanês e com o chefe da inteligência do país em 13 de setembro, e exigiu que o Paquistão adotasse sete medidas. Entre as exigências, estaria o fim do apoio logístico a Bin Laden.
O relatório americano não cita ameaças, mas, segundo Musharraf, as sete exigências foram cumpridas no mesmo dia. Ele disse ontem, durante a entrevista à CBS, que ficou insatisfeito por ser obrigado a entregar o controle de bases militares na fronteira com o Afeganistão aos EUA.
Musharraf também reagiu negativamente aos comentários feitos ontem por Bush, que disse que enviará tropas dos EUA ao Paquistão caso receba informações sobre o paradeiro de Bin Laden.

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