Paquistão reprime atos de extremistas islâmicos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de outubro de 2001
François-Xavier Harispe<br> France Presse<br> De Islamabad 
O governo do Paquistão quer pôr fim aos protestos dos extremistas islâmicos que criticam os ataques norte-americanos ao Afeganistão, e prendeu vários dos seus líderes. O endurecimento da repressão nas manifestações antiamericanas parece ter tido um efeito dissuasivo, pois ontem a mobilização parecia menor do que nos dias anteriores. Mas em Kuchlak, 20 km ao norte de Queta, três pessoas morreram e duas ficaram feridas nos confrontos que aconteceram entre policiais e manifestantes. ''Agora, a situação está sob controle'', informou à AFP o agente Safdar Khan.
Três dirigentes islâmicos do partido fundamentalista pró-taleban estão sob prisão domiciliar, devido a manifestações convocadas após o início dos ataques norte-americanos, informou a polícia. São eles: Fazlur Rehman, chefe do Jamiat Ulema-e-Islam (JUI); Samiul Haq, responsável por uma facção do JUI, e Azam Tariq, líder do grupo extremista sunita Sipah-i-Sahaba Pakistan (SSP). As autoridades paquistanesas acusam esses dirigentes de ''incitar a população à desordem''. Militantes do SSP, acusados de assassinatos sectários contra a minoria xiita do país, estariam agora como clandestinos no Afeganistão.
Manifestações realizadas ontem responderam à segunda noite de ataques contra o Afeganistão. Irritados com os aviões norte-americanos que vêem passar por cima de suas cabeças, os militantes da região de Queta (Oeste) voltaram a se reunir nas ruas e incendiaram uma delegacia. Mas foram violentamente dispersados pelas forças de ordem.
A polícia prendeu 37 pessoas, que se somaram às 200 de segunda-feira. As manifestações foram convocadas pelo JUI, que considera os ataques ao Afeganistão um ''ato terrorista internacional'' e decretou a jihad (guerra santa) contra os Estados Unidos. ''Não é um ataque contra o Afeganistão, e sim contra o Islã'', afirmou um porta-voz do JUI. Em Islamabad, os policiais responsáveis pelo controle das manifestações continuavam de prontidão, acompanhados por militares.
Em Bagdá Milhares de iraquianos se manifestaram ontem em Bagdá contra os ataques americanos-britânicos no Afeganistão. Cerca de 15 mil pessoas, em sua maioria estudantes, participavam do protesto, perto da universidade de Al Mustansiriya, norte da capital.
Os manifestantes exibiam bandeiras iraquianas e gritavam palavras hostis contra os Estados Unidos. A convocação da manifestação foi anunciada pelo centro de imprensa subordinado ao Ministério iraquiano da Informação. No domingo, o presidente Saddam Hussein condenou os ataques americanos contra o Afeganistão, classificando-os de ''agressão''.
Berlim Um apelo pela paz assinado por mais de 20 mil pessoas foi entregue ontem em Berlim ao secretário de Estado alemão das Relações Exteriores, Ludger Volmer, por representantes de organizações pacifistas. No pedido, as organizações pacifistas alertam o governo contra uma eventual participação da Bundeswehr (exército alemão) nas operações militares contra o Afeganistão.
Além disso, espera-se que 50 mil pessoas participem sábado em Berlim e em Stuttgart de duas manifestações contra os ataques americanos ao Afeganistão, disseram os organizadores.


