Paquistão: orações e protestos mobilizam 10 mil pessoas
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de dezembro de 2007
France Presse 
Quase 10.000 pessoas protestaram ontem pelas ruas de Lahore, a grande cidade do nordeste do Paquistão, contra o presidente Pervez Musharraf e com orações em memória da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto.
Diante de uma mesquita, vários policiais acompanhavam a manifestação, que se transformou em uma das maiores aglomerações desde o atentado contra aquela que era a principal líder da oposição.
Os manifestantes gritavam frases contra o partido no poder e ''Go Musharraf, go'' (saia Musharraf, saia). Em Islamabad, a comissão eleitoral afirmou que os atos violentos cometidos no país desde o atentado contra Bhutto afetam desfavoravelmente o processo eleitoral, que tem uma votação legislativa prevista para 8 de janeiro.
Por outro lado
O Paquistão estava literalmente paralisado ontem, com os centros urbanos, especialmente Karachi, sul do país, reduzidos a cidades fantasma pelos distúrbios dos últimos dias, após o assassinato da ex-premier e líder opositora Benazir Bhutto.
Nas outras grandes cidades do país, Islamabad, Lahore e Rawalpindi, onde Bhutto foi assassinada em um atentado suicida quinta-feira, a situação era semelhante: lojas e postos de gasolina fechados, transportes públicos quase inexistentes e pouco trânsito de veículos privados.
Algumas ruas de Karachi, o reduto do partido de Bhutto, foram cenário de confrontos e as forças oficiais receberam ordem de atirar para conter a violência. Pelo menos 33 pessoas morreram nos distúrbios, 24 delas na província meridional de Sind, da qual Karachi, uma metrópole de 12 milhões de habitantes, é a capital.
O Paquistão também permaneceu totalmente parado anteontem, o primeiro dos três dias de luto nacional decretados pelo presidente Pervez Musharraf em memória de Bhutto. Nas ruas de Peshawar e Karachi era possível observar muitos carros, ônibus e motos queimados. Em Karachi, que também é a capital econômica do país, um posto de gasolina e uma lanchonete de fast-food de uma rede americana foram destruídos por incêndios na madrugada de quinta para sexta-feira.
Os responsáveis pelos distúrbios, quase todos jovens simpatizantes do partido de Bhutto, também manifestaram a revolta destruindo várias ambulâncias, segundo fontes oficiais. Os distúrbios provocaram a morte de 33 pessoas em todo o país desde o ataque suicida que matou a ex-premier e outras 20, quinta-feira em Islamabad.
À procura de culpados
O suposto líder da Al-Qaeda no Paquistão, Baitullah Mehsud, desmentiu sua responsabilidade na morte de Benazir Bhutto e culpou o governo paquistanês pelo assassinato da ex-primeira-ministra.''Ele não teve implicação neste atentado'', afirmou à AFP por telefone de satélite o porta-voz de Mehsud, maulana (título religioso) Omar. ''É uma conspiração do governo, do exército e dos serviços secretos paquistaneses'', acrescentou.
O governo paquistanês havia acusado, na sexta-feira, o braço paquistanês da Al-Qaeda, dirigido por Mehsud, de ter cometido o assassinato da ex-premier e divulgou a transcrição de uma conversa telefônica interceptada pelos serviços secretos na qual Mehsud felicitava os autores do atentado suicida.


