Paquistão fecha as fronteiras
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quarta-feira, 26 de setembro de 2001
Associated Press<br> De Islamabad 
O Paquistão manterá suas fronteiras fechadas aos refugiados afegãos, mas deverá reconsiderar sua posição se as condições no país se deteriorarem dramaticamente, disse ontem um membro do gabinete.
''Neste momento, dadas as circunstâncias, não há nenhum plano de abertura das fronteiras'', disse a jornalistas Abbas Sarfraz, ministro para as Áreas do Norte. ''Mas se a situação do povo afegão tornar-se insuportável, deveremos contemplar a questão sob seu aspecto puramente humanitário.''
Agências humanitárias ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU) pedem ao governo paquistanês que relaxe a proibição à passagem dos refugiados, imposta após os ataques terroristas contra os Estados Unidos, dos quais o principal suspeito é o milionário saudita Osama bin Laden, radicado no Afeganistão.
Milhares de afegãos estão parados do outro lado da fronteira e estão ficando sem comida, dizem os funcionários da ONU.
As Nações Unidas estimam que entre 5 milhões e 6 milhões de afegãos estejam precisando de comida e outros tipos de ajuda devido à turbulência política e econômica que o país vem enfrentando, além de um período de seca.
A ONU também acredita que os estoques de mantimentos estejam diminuindo no país devido à proximidade do rigoroso inverno na região.
ApeloA agência para refugiados da ONU (UNHCR, por sua sigla em inglês) apelou ontem à comunidade internacional para uma ajuda de US$ 252 milhões aos afegãos em virtude de uma possível retaliação militar norte-americana contra as fortalezas do suposto terrorista Osama bin Laden.
''Hoje estamos testemunhando um esforço global para se combater o terrorismo'', disse o comissário da ONU para Refugiados, Ruud Lubbers. ''Precisamos de um esforço similar para lidar com as possíveis consequências humanitárias daquilo que vier a acontecer no Afeganistão'', especialmente se acontecer um eventual ataque militar norte-americano.
Oficiais da UNHCR temem que qualquer ação no Afeganistão poderia provocar a fuga de cerca de 1,5 milhão de pessoas para os países vizinhos, o que representaria o maior êxodo desde que as forças sérvias expulsaram centenas de milhares de albaneses étnicos de suas casas em Kosovo durante os bombardeios da Otan contra a Iugoslávia.


