Paquistão faz cinco testes nucleares
Paquistão faz cinco testes nucleares
País comprova força e confronta Índia, mas protestos mundiais levam presidente a decretar estado de emergência
France Presse
Aamir Qreshi/France PresseIgualdadeEm Karachi, população paquistanesa comemorou a experiência como resposta aos testes feitos pelos rivais indianos O Paquistão surpreendeu o mundo e realizou com sucesso ontem cinco testes nucleares em um polígono nuclear subterrâneo de uma área pobre e semidesértica ao sudoeste de Quetta, capital da província de Buluquistão (sudoeste), perto da fronteira com o Afeganistão. Os testes provocaram um tremor de 4,9 pontos na escala Richter, o equivalente a uma explosão de 5 toneladas. Na capital Islamabad, o primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, confirmou os testes num discurso à nação transmitido pela rádio nacional. Igualamos a marca da Índia, acrescentou. O Paquistão agora é o primeiro país muçulmano a realizar de fato testes nucleares.
Menos de duas horas depois, temendo agressões externas por causa de manifestações contrárias aos testes, o presidente paquistanês Mohamed Rafiq Tarar decretou estado de emergência no país, ao mesmo tempo em que determinou restrições temporárias às transações com o exterior..
Os testes constituem a resposta paquistanesa aos cinco testes nucleares indianos realizados nos dias 11 e 13 passados. As experiências se realizaram em um momento em que a pressão popular aumentava no país - sobretudo por parte da oposição - para que eles fossem feitos. Em vários pontos, sobretudo em Penjab, milhares de manifestantes vinham exigindo a realização dos testes objetivando uma resposta urgente à Índia - e ontem comemoraram o feito nas ruas das principais cidades.
Em Islamabad, uma multidão de admiradores, carregando buquês, doces e outras oferendas, visitou ontem o homem considerado o cérebro do sucesso nuclear do Paquistão, depois das explosões. Fanáticos admiradores queriam autógrafos ou fotos ao lado do chefe do programa nuclear, o cientista Abdul Qadeer Khan, agora conhecido como The Man Behind the Bomb (O homem da bomba).
Analistas ocidentais e em particular os serviços de inteligência norte-americanos estimam que há tempos o subcontinente indiano representa atualmente o maior risco de conflito nuclear regional.
As potências mundiais já tinham demonstrado preocupação com relação às divergências paquistanesas-indianas. Estados Unidos e Japão, por exemplo, tentaram dissuadir o Paquistão de responder à Índia fazendo seus próprios testes. Isso foi inútil.
Em várias ocasiões, Islamabad anunciou que sua decisão final dependia das reações internacionais aos testes da Índia. Nos últimos dias, autoridades paquistanesas expressaram sua decepção frente à fragilidade e à falta de consenso internacional para impor sanções à Índia depois dos testes.
RivalidadeOs testes constituem uma nova etapa inquietante da feroz rivalidade de meio século entre a Índia e o Paquistão, marcada por três guerras entre os dois países desde sua independência e a divisão do subcontinente. Em 1997, a chegada ao poder de extremistas nacionalistas hindus levou a uma radicalização das posições e a uma tensão alarmante, agravada sobretudo pelos testes nucleares indianos realizados entre os dias 11 e 13 passados e pelas declarações belicosas dos dirigentes nacionalistas sobre Cachemira.
Este território do Himalaia, de maioria muçulmana e dividido entre a Índia e o Paquistão, é desde 1947 a principal fonte de conflitos entre os dois países inimigos, que disputam o controle total da região.
Os dois países mantiveram duas guerras pela Cachemira, em 1947 e 1965. Uma terceira guerra entre a Índia e o Paquistão levou, em dezembro de 1971, à divisão do Paquistão e à independência de sua parte oriental, hoje denominada Bangladesh.





