O que vai definir a capacidade do presidente Pervez Musharraf de sobreviver à decisão de se colocar do lado dos Estados Unidos é um fator volátil e imponderável: quantos paquistaneses, com que virulência, e com que respaldo eventual das Forças Armadas, poderão aderir à onda de protestos violentos, na medida em que as bombas americanas começarem a cair sobre o Afeganistão.
Na última oportunidade que teve de demonstrar a força de sua liderança sobre as Forças Armadas, Musharraf foi muito bem. Na qualidade de comandante do Exército, o general travava uma queda-de-braço com o então primeiro-ministro Nawaz Sharif, que teve seu desfecho em outubro de 1999, quando o chefe do governo quis impedir o avião em que estava o militar de pousar no Paquistão, de volta de uma viagem. As Forças Armadas tomaram partido de Musharraf, e foi o fim do governo de Sharif.
As manifestações estão aumentando de intensidade, mas continuam restritas a uma fatia da população sob forte influência fundamentalista. ''São fanáticos, que se fecharam e não querem entender'', pensa a estudante universitária Deborah Mathew, da minoria cristã protestante. Em seu pronunciamento de quarta-feira, o presidente disse que essa parcela varia de 10% a 15% da população.

mockup