São Paulo- Novos protestos da população contra a imposição do estado de emergência no Paquistão no último sábado levaram a confrontos violentos com a polícia e a milhares de prisões ontem. Armados com bombas de gás lacrimogêneo e bastões de madeira, policiais atacaram advogados que protestavam contra o decreto e a suspensão da Constituição em três das maiores cidades do país -Lahore, Karachi e Rawalpindi.
Relatos sobre o número de detidos desde o fim de semana variam. Para o jornal ''New York Times'', que cita fontes do governo paquistanês, ao menos 150 advogados só em Lahore e 500 opositores em todo o país foram presos.
O ditador paquistanês, general Pervez Musharraf, impôs o estado de emergência e o justificou pela crescente oposição no judiciário, na mídia e entre grupos políticos -que, segundo ele, ''prejudicam o combate ao terrorismo''.
Estudantes universitários e jornalistas também participaram de protestos ontem, e o maior grupo de mídia do Paquistão, Jang Group, afirmou ter recebido ordens para não imprimir um jornal vespertino -mas desobedeceu. Desde sábado, Musharraf impede a transmissão de canais privados e internacionais de TV.
Especula-se que o estado de emergência tenha sido instituído para evitar que a Suprema Corte anule a recente reeleição do ditador, em outubro -a Constituição impede que o presidente acumule o cargo de chefe das Forças Armadas. A decisão deveria sair nesta semana, mas os juízes da Suprema Corte foram destituídos.

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