Paquistão diz que fará testes atômicos
O governo desmentiu a realização de provas, ontem, mas assinalou que pretende responder ao desafio indiano
Das agências

France Presse
ProtestoManifestantes paquistaneses queimam uma efígie que simboliza o presidente da Índia. O protesto faz parte das manifestações que se realizam em todo o país contra os testes nucleares realizados pelos indianos na semana passada, e que provocaram reações revoltadas em quase todos os países do mundoO Paquistão desmentiu, ontem, ter realizado um teste nuclear, mas confirmou que o fará, para responder ao desafio da Índia, sua inimiga vizinha, que realizou na semana passada uma série de cinco testes. O porta-voz do primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif desmentiu a notícia divulgada pouco antes pelo Chanceler alemão, Helmut Kohl. ‘‘Não podemos confirmar a informação. Pelo menos não sabemos de nada disso’’, declarou o porta-voz, Rai Riaz.
Kohl havia anunciado em Birmingham (Grã-Bretanha) em uma entrevista à imprensa em um intervalo do encontro de cúpula das oito grandes potências (G8) que possuía informações sérias segundo as quais o Paquistão havia efetuado um teste nuclear.
Pouco antes, em Islamabad, o Ministro paquistanês, Gohar Ayub Jandes, havia afirmado que seu país efetuará um teste nuclear, assinalando que o governo já havia aprovado esta decisão, mas sem dar maiores detalhes quanto à data do teste.
Os dois países se obstinam em uma violenta hostilidade desde a independência e já se enfrentaram em três guerras, das quais duas em razão da Cachemira, uma região do Himalaia com maioria muçulmana, onde os dois países ainda disputam a soberania.
‘‘Não agiremos nunca precipitadamente ou sob um ataque de loucura. Tomaremos decisões pensadas, que serão determinadas pelos imperativos de nossa segurança nacional’’, adiantou o porta-voz paquistanês.
Advertência A Índia, por seu turno, advertiu ontem que prosseguirá impertubavelmente seu programa nuclear e iniciará a produção em série de um míssil de 1.500 km de alcance com capacidade atômica.
‘‘Nada poderá retardar o avanço de nossa tecnologia’’, declarou numa entrevista à imprensa o diretor do programa de mísseis, P.J. Abdul Kalam. ‘‘As sanções não nos afetarão. Nosso programa nuclear é indiano cem por cento’’, acrescentou.
Além disso, a Índia anunciou pela primeira vez oficialmente que já dispõe do foguete Agni (Fogo), capaz de transportar uma carga nuclear a 1.500 km de distância, e a experiência de um programa para aumentar seu alcance a 2.500 km.
‘‘Agni já está no ponto para sua fabricação em série e estamos instalando seu sistema de comando e controle’’, disse P.J. Kalam, que também é conselheiro científico do primeiro-ministro nacionalista hinduísta Atal Behari Vajpayee.
O ex-comandante-em-chefe do Exército, general Vishwanath Sharma, explicou que se trata de sincronizar mísseis e ogivas nucleares e desenvolver os computadores necessários.
Segundo os cientistas governamentais, as cinco provas nucleares da semana passada foram um sucesso que ‘‘nos deu os dados essenciais para validar nossa capacidade de conceber diversas aplicações e sistemas de produção de armas nucleares’’.
Sem informações Cientistas encarregados pelos testes nucleares ocorridos na Índia se recusaram ontem a dizer quais os materiais utilizados nos cinco experimentos realizados pelo país no subsolo de seu território na última semana.
‘‘Não revelaremos o material utilizado em nenhuma das explosões’’, disse R. Chidambaram, presidente da Comissão de Energia Atômica durante entrevista coletiva.
Autoridades disseram que cientistas e engenheiros especializados em softwares de computadores e física eletrônica e nuclear trabalharam juntos nos testes realizados em uma região desértica do estado de Rajasthan.

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