Paquistão começa a retirar tropas da fronteira com Índia
Associated Press
De Islamabad
O Paquistão começou ontem a retirar suas tropas da fronteira com a Índia, um dia depois que o general golpista Pervez Musharraf prometeu uma desescalada militar unilateral e o retorno à democracia, mas isso não impediu que a Comunidade Britânica (Commonwealth) suspendesse o país de suas reuniões por causa da derrubada, há uma semana, do governo democraticamente eleito de Nawaz Sharif.
Segundo um porta-voz do Exército, coronel Saulat Raza, reforços que haviam sido enviados à divisa internacional de 740 quilômetros de extensão durante os combates pela disputada Caxemira no primeiro semestre iniciaram o retorno logo de manhã. Ele disse que o número de soldados em retirada é sigiloso. Não estão sendo retirados, porém, os militares posicionados ao longo da Linha de Controle que divide a Caxemira.
A Índia reagiu friamente ao recuo do arquiinimigo nuclear, reiterando a acusação de que Islamabad arma e treina combatentes antiindianos que agem na Caxemira. É imperativo que o Paquistão pare de patrocinar o terrorismo além das fronteiras em Jammu-Caxemira e em outras partes da Índia, exigiu um porta-voz da chancelaria indiana, Raminder Singh.
O governo americano saudou a retirada de tropas e a promessa de retorno à democracia feita por Musharraf, mas lamentou que o general não tenha fixado um prazo para isso.
Em Islamabad, Musharraf disse que será formado em três ou quatro dias um novo gabinete ainda esta semana. Não quero precipitar a criação de um gabinete porque queremos os melhores para integrá-lo, afirmou. Ele está negociando a participação principalmente de tecnocratas e funcionários do país na ONU, principalmente para cuidar dos assuntos econômicos.





