Surinder Oberoi
Um violento duelo de artilharia foi registrado ontem entre forças da Índia e do Paquistão na Caxemira; a aviação indiana atacou pelo oitavo dia consecutivo os guerrilheiros islamitas pró-paquistaneses, que controlam ainda alguns pontos estratégicos. Tropas indianas na ofensiva no setor de Batalik tiveram que recuar por causa dos bombardeios paquistaneses, sofrendo baixas. Um porta-voz indiano explicou que os guerrilheiros penetraram 7 km em seu território, controlando cinco pontos depois de terem sido expulsos de outros nove, até 2 km da ‘‘linha de controle’’. Aviões MIG-27 e MIG-21 indianos atacaram, enquanto Mirage-2000 os apoiavam para desviar a atenção dos radares e baterias de mísseis em território paquistanês.
O Paquistão acusou a Índia pelo segundo dia consecutivo de ter atingido a população civil num bombardeio que causou três mortos numa escola, e outros sete alunos na véspera. A Índia qualificou esta informação de pura propaganda. O primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee, afirmou que a ofensiva de seu país é vitoriosa na Caxemira, onde enfrenta uma ‘‘agressão externa’’.
Vajpayee repetiu que não é questão de deter a ofensiva, mas deixou entender que Nova Delhi poderia permitir aos guerrilheiros retornarem ao Paquistão, se o país pedir para deter os combates. O Paquistão afirma que não tem vínculos com eles. Vajpayee, que assistia ao batismo de um destróier em Bombay, advertiu que o Paquistão estaria ‘‘louco’’ se recorresse a armas nucleares.
Desde o começo dos combates no norte, dia 9 de maio, o exército indiano afirma ter matado 150 soldados paquistaneses e 320 guerrilheiros infiltrados na Caxemira indiana. As baixas indianas chegam oficialmente a 46 mortos, 174 feridos; foram destruídos 2 MIG e 1 helicóptero.
Os combates na Caxemira contribuíram para aumentar o clima de tensão entre a Índia e o Paquistão a um nível nunca alcançado desde a guerra entre os dois países em 1971. Os dois países aceitaram discutir a paz, mas ontem ainda não tinham chegado a um acordo sobre a data da visita a Nova Delhi do chefe da diplomacia paquistanesa, Sartaj Aziz, que parece cada vez menos provável.

mockup