PAQUISTÃO - Ataques marcam volta de Benazir Bhutto
Um duplo ataque contra a caravana da ex-premiê paquistanesa Benazir Bhutto matou pelo menos 139 pessoas em Karachi, sul do Paquistão, e deixou mais de 200 feridos. O atentado pôs fim aos festejos pela volta do exílio da líder política que pouco antes dispensara o cubículo à prova de balas para seguir à frente do comboio do Partido do Povo Paquistanês (PPP), espremida entre a cúpula da legenda que liderará nas eleições legislativas, previstas para janeiro. Os verdadeiros muçulmanos sabem que queimarão no inferno se atacarem uma mulher, tinha dito a ex-premiê, desdenhando dos três planos de atentado contra ela que, segundo o governo, haviam sido desmantelados até o início da semana. Grupos ligados a Al Qaeda e ao Taleban paquistanês seriam os responsáveis pelo planejamento das ações. As organizações são as principais suspeitas pelos atentados. Bem vista pela Casa Branca, Benazir já declarou apoio a uma ação militar dos EUA na conturbada região da fronteira afegã, base de radicais islâmicos. Para desgosto dos fundamentalistas, Benazir ela própria muçulmana, como 97% dos paquistaneses lidera um partido laico. O recente flerte com o ditador Pervez Musharraf, que já foi três vezes alvo de ataques terroristas, também contribui para as ameaças à ex-premiê.
Foi a primeira mulher a comandar um Estado Islâmico, ao qual regressou na última quinta-feira com a intenção declarada de levá-lo pelo caminho da democracia mesmo sob o controle do general Pervez Musharraf, que comanda o país desde 1999, após um golpe de Estado. Com apenas 35 anos, Bhutto se tornou chefe do governo do Paquistão em 1988, após assumir o legado político de seu pai, Zulfikar Ali Bhutto. Zulfikar foi primeiro-ministro na década de 1970 e foi executado pelo ditador general Zia ul Haq.
O Paquistão surgiu como país independente em agosto de 1947, como resultado da bipartição da colônia britânica da Índia. A idéia de se criar o Paquistão esteve ligada à oposição dos muçulmanos do subcontinente indiano em passarem a integrar uma Índia plurireligiosa e laica





