Paquistaneses morrem rezando em mesquita
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sexta-feira, 01 de outubro de 2004
France Presse 
Sialkot - Pelo menos 30 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas ontem, na explosão de uma bomba em uma mesquita xiita de Sialkot, no leste do Paquistão, informou a polícia. ''Trinta pessoas morreram, e alguns dos feridos estão em estado crítico'', declarou o policial Syed Ishtiaq Hussain Shah.
A explosão ocorreu quando centenas de fiéis estavam rezando na mesquita Mistri Abdullah Imambargah, localizada no centro da cidade. ''Trata-se de um ato terrorista'', frisou o chefe da polícia da cidade, Nisar Ahmed. ''Acreditamos que um camicase cometeu este atentado'', acrescentou.
Várias centenas de manifestantes enfurecidos entraram em confronto com a polícia no exterior da mesquita depois do ataque, segundo Ahmed. Testemunhas relataram um cenário de horror, com pedaços de corpos e sangue espalhados em toda a mesquita, onde a bomba cavou uma cratera enorme ao explodir. Um fiel, Hamid Naqvi, contou que a explosão aconteceu quando a multidão ouvia a oração de sexta-feira.
A comunidade xiita representa cerca de 15% dos 150 milhões de paquistaneses. A violência entre fundamentalistas xiitas e sunitas no Paquistão causou milhares de mortos desde o início dos anos 90. Este atentado foi cometido alguns dias depois de as forças paquistanesas terem matado, em 26 de setembro, o militante islamita Amjad Farooqi, um importante membro da rede terrorista Al-Qaeda no Paquistão. Farooqi foi designado pelas autoridades como o cérebro dos dois atentados contra o presidente Pervez Musharraf em dezembro passado, que fracassaram, e de um outro contra o primeiro-ministro, Shaukat Aziz.
Farooqi, militante do grupo islamita Harkatul Jihad-e-Islami hoje proibido , também é acusado de ter participado do sequestro e do assassinato do jornalista americano Daniel Pearl, em janeiro de 2002 em Karachi (sul do Paquistão). De acordo com as autoridades paquistanesas, a organização su© nita Al-Qaeda de Osama bin Laden estreitou seus laços com os grupos fundamentalistas paquistaneses com o objetivo de organizar atentados e promover a violência contra a minoria xiita.
Em março e em junho passados, as forças paquistanesas conduziram importantes operações nas zonas tribais do oeste do país, perto da fronteira com o Afeganistão e suspeitas de abrigar militantes da Al-Qaeda. O presidente Musharraf afirmou recentemente que o combate à rede Al-Qaeda estava dando seus frutos, com a detenção de mais de 600 suspeitos até agora.


