Papon é acusado de deportar mais de 1.500 judeus
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de outubro de 1997
France Presse 
Maurice Papon, um personagem da Quinta República gaullista, de 87 anos de
idade, é acusado de ter deportado mais de 1.500 judeus durante a Segunda Guerra. Ele era encarregado das questões judias no departamento de
Gironda, sudoeste da França, território que os invasores alemães haviam
deixado em mãos do governo liderado pelo marechal Philippe Pétain. Papon, segundo a acusação, teve responsabilidade nas operações para capturar
esses judeus e no envio deles à Alemanha.
Um dos aspectos mais surpreendentes do processo que acontece com mais de 50
anos de atraso, é a trajetória ilustre de Papon na França do pós-guerra assim
como as redes de cumplicidade que o protegeram e o ajudaram a escalar altas posições.
Papon, responsável pelas questões judaicas do governo de Vichy,
colaborador dos nazistas alemães ocupantes de seu país, foi nomeado mais tarde
prefeito da polícia de Paris pelo general Charles De Gaulle. Respeitado e
adulado teve uma brilhante carreira política, chegando a ser ministro do
presidente Valery Giscard dEstaing.


