Papa visita sinagoga de Roma, e lembra Haiti
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
France Presse 
O Papa Bento XVI iniciou ontem uma visita histórica à principal sinagoga de Roma, com uma homenagem diante da placa que lembra a deportação de milhares de judeus da Itália aos campos de extermínio nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, além da observação de um minuto de silêncio em memória das vítimas da tragédia no Haiti.
Uma coroa de flores foi depositada em nome do pontífice por um de seus assistentes diante da placa que recorda a deportação de mais de mil judeus do ''gueto'' de Roma, em 16 de outubro de 1943, para os campos concentração.
''Como esquecer seus rostos, suas lágrimas, o desespero de homens, mulheres e crianças?'', disse o Papa durante seu discurso de cerca de meia hora no templo do antigo gueto judeu, diante de alguns sobreviventes.
Este foi um gesto simbólico, já que alguns historiadores, muitos deles judeus, acusam o pontífice da época, Pio XII, de ter mantido silêncio durante o Holocausto nazista e criticam o desejo do Papa alemão de beatificá-lo.
A presença de Bento XVI acontece 24 anos depois de uma visita de João Paulo II à Grande Sinagoga de Roma.
Em um gesto incomum diante das diversas autoridades religiosas e de personalidades políticas nacionais e locais, o presidente da Comunidade Judaica de Roma, Riccardo Pacifici, pediu ao Papa que abra os arquivos sobre o controverso pontífice Pio XII.
A abertura dos arquivos, que são secretos a partir de 1939, depende pessoalmente de Bento XVI, que pode autorizar sua consulta, o que até agora não fez, ao que parece, por respeito àquelas pessoas que ainda estão vivas e pelo elevado número de documentos que devem ser classificados.
''O silêncio de Pio XII diante do Holocausto ainda nos machuca, é algo que ainda falta'', disse Pacifici, ao abordar um dos temas de maior divergência entre católicos e judeus, depois o Papa assinou em dezembro o decreto que confirma as ''virtudes heróicas'' de Pio XII.


