O papa João Paulo II inicia hoje a quarta visita de seu pontificado ao México, em uma missão pastoral plena de simbolismo. O principal motivo da nova peregrinação é a entrega das conclusões do Sínodo das Américas, realizado no final de 1997, mas a viagem do papa coincide com o 20º aniversário de sua primeira saída de Roma, em janeiro de 1979, também para o México.
O documento do sínodo, que será entregue hoje em uma cerimônia na Nunciatura Apostólica, apresenta não só as conclusões dos 500 bispos americanos que se reuniram em Roma mas as próprias orientações do pontífice para os católicos do continente no novo milênio.
Um concerto de sinos, música de mariachis e milhares de pessoas nas ruas é o que espera o papa João Paulo II ao chegar à Cidade do México. Em todas as igrejas da capital mexicana, os sinos badalarão no momento em que o pontífice pisar em território mexicano pela quarta vez. Nos mais de 50 quilômetros entre o aeroporto e o centro da capital, onde receberá as chaves da Cidade do México e dali até a Nunciatura Apostólica, onde pernoitará, o pontífice deve passar por um cordão humano. Milhares de católicos se organizaram para ocupar pontos do trajeto do papa na capital, acompanhados pelos mariachis que cantarão músicas criadas especialmente para a visita. Dois milhões e meio de pessoas assistirão às missas que o papa celebrará durante sua estadia.
O Papa, cujo avião chega ao México às 15h15 locais, será recebido pelo presidente Ernesto Zedillo, algo incomum porque o protocolo mexicano marca como norma que seja o ministro das relações exteriores a receber chefes de estado ou governos visitantes.
Durante sua estada de quatro dias, o papa deve abordar os temas e problemas que ocupam sua atenção desde que pela primeira vez visitou o continente americano há vinte anos: a pobreza, o custo social do capitalismo selvagem, a dignidade e os direitos humanos, a corrupção e o narcotráfico, a questão indígena e o avanço das seitas religiosas.

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