Papa se oferece para mediar conflito
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sexta-feira, 08 de maio de 2009
Folhapress 
São Paulo - Ainda no avião que o levava para sua viagem pela Terra Santa, que teve início ontem na Jordânia, o papa Bento XVI defendeu uma participação maior da Igreja Católica na mediação do processo de paz entre palestinos e israelenses. Ele afirmou que gostaria de se engajar em um diálogo trilateral com judeus e muçulmanos. O pontífice fica até segunda na Jordânia, quando a outra parte de sua peregrinação, dividida entre Israel e territórios palestinos.
É certo que eu vou tentar fazer uma contribuição para o processo de paz, não como um indivíduo, mas em nome da igreja, da Santa Sé, disse o papa a repórteres que o acompanhavam na viagem de Roma a Amã, capital da Jordânia.
Um integrante da igreja no Brasil diz estar entre os interesses imediatos da instituição nesta viagem o reforço de sua relevância moral e política no cenário internacional. Daí a iniciativa de Bento 16.
O papa disse na entrevista que as negociações de paz são frequentemente travadas pelo surgimento de posições sectárias, que podem ser superadas com a participação de um mediador como a Igreja Católica.
Ao chegar à Jordânia, Bento XVI continuou a ser cobrado por declarações suas de 2006 -quando, durante uma aula em universidade na Alemanha sobre fé e razão, citou um imperador bizantino do século 14 que criticava a violência do islã.
Questionado sobre o tema, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse que a igreja já tinha feito todos os esclarecimentos possíveis sobre o episódio -à época, o papa se disse profundamente sentido por ter ofendido a sensibilidade de muitos muçulmanos.
Segundo o jornal britânico The Guardian, em resposta à pergunta de um repórter hoje em Amã, Lombardi disse: Não podemos continuar repetindo os mesmos esclarecimentos até o fim dos tempos.
Bento XVI, por sua vez, já no território do primeiro país árabe que visita desde que se tornou papa, em 2005, afirmou que a viagem lhe dava oportunidade para expressar o seu profundo respeito pela comunidade muçulmana.
Hoje o papa visita uma mesquita e participa de encontro com líderes religiosos muçulmanos.


