Apesar de cansado ao final de uma semana de celebrações pelo Dia Mundial da Juventude, um sorridente João Paulo II saudou ontem a presença de cerca de dois milhões de jovens reunidos no câmpus da Universidade de Roma, às portas da cidade, para a missa de encerramento das comemorações do evento anual no Ano do Jubileu. Depois de agradecer a ‘‘não sei quantos são, mas todos’’
os jovens presentes e de considerar o encontro deste ano como ‘‘excepcional’’, por ter ‘‘superado todas as previsões’’, o papa os exortou a rejeitar o materialismo e incorporar-se ao sacerdócio, priorizando os valores cristãos.
Denunciando os que se deixam atrair ‘‘pela ilusão de uma vida fácil e cômoda, pelas drogas e a busca do prazer’’, o papa pediu aos jovens católicos, ‘‘a quem Roma agora pertence’’, que recorram mais à religião.
O pontífice pediu que cada comunidade tenha um sacerdote para celebrar a Eucaristia. ‘‘Para tanto’’ disse ele, ‘‘rogo a Deus que desperte entre vocês muitas vocações para o sacerdócio’’. No entanto, a quantidade de jovens que se encaminham para o sacerdócio vem diminuindo acentuadamente e, segundo analistas, é provável que o apelo do papa encontre eco apenas junto aos jovens do Terceiro Mundo.
A missa durou mais de duas horas, e João Paulo II, que havia participado na véspera de outra celebração religiosa que se estendeu até a meia-noite, voltou apenas oito horas depois para oficiar a cerimônia. Várias vezes, Sua Santidade deixou pender a cabeça e seus braços tremeram – sintoma do mal de Parkinson que o aflige e que aparece mais quando ele está cansado.
Mas o pontífice se manteve alerta e sorridente ao falar aos jovens de 160 países que o escutavam depois de passar a noite em sacos de dormir ou em abrigos improvisados para receber um número calculado pelo prefeito de Roma, Francesco Rutelli, em dois milhões de jovens.
Após a missa, começou o lento êxodo dos peregrinos que invadiram esta semana a Cidade Eterna. Para acompanhar sua retirada, a polícia informou que se manteria em alerta até o final da noite.

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