Papa reza por paz e prosperidade
Cidade do Vaticano - O papa João Paulo II rezou ontem pela paz na Terra Santa e no resto do mundo durante a Missa do Galo celebrada na Basílica de São Pedro, em Roma, e transmitida ao vivo em 72 países. ''Senhor, nós te reconhecemos como o único Deus. A humanidade inteira, marcada por inúmeros desafios e inúmeras dificuldades, precisa do Senhor'', disse João Paulo II durante sua breve homilia de Natal.
O Papa desejou que a ''Terra Santa possa conhecer tempos de prosperidade e coexistência pacífica, no respeito recíproco de seus habitantes'', durante a oração com os fiéis.
Em Belém, o patriarca de Jerusalém, Michel Sabbah, criticou a ocupação israelense e o muro de segurança construído por Israel na Cisjordânia, durante a Missa do Galo, que contou com a presença de dirigentes palestinos pela primeira vez em quatro anos. ''Nossa situação é de conflito e violência, de insegurança e medo, de ocupação militar, de muro de separação, de cidades cárceres, de humilhações'', declarou Sabbah aos fiéis reunidos na basílica da Natividade, em Belém, a cidade onde segundo a Bíblia nasceu Jesus Cristo.
A cidade histórica, apesar da redução dos controles militares, recebeu apenas 5 mil fiéis para o Natal, um número insignificante se comparado à multidão que desfilava por suas ruas antes da segunda Intifada.
Na China, as igrejas aprovadas pelo governo chinês foram invadidas por uma multidão ontem, demonstrando a crescente popularidade do Natal no país, apesar das tentativas oficiais de controlar o cristianismo.
Muitos chineses já não dependem do Partido Comunista como guia espiritual e buscam apoio no cristianismo, que atrai as massas porque é relacionado ao Ocidente. Qualquer coisa ocidental está na moda na China.
O Vaticano acredita que o país possui 10 milhões de católicos nas igrejas ilegais. Muitos acreditam que existem ainda mais protestantes.
Em Cuba, único país comunista do hemisfério ocidental, apenas o som dos sinos em algumas igrejas lembrou o Natal.
Alguns países da América do Sul celebram o nascimento de Jesus a sua maneira. A Argentina tentou esquecer a fome e o desemprego com as compras. O Chile comemora aquele que pode ser o melhor dezembro de vendas nos últimos sete anos. Já a Colômbia foi afetada pelo assassinato de um sacerdote católico por guerrilheiros das Farc.
A Europa também celebrou a data. Na Espanha, o rei Juan Carlos I homenageou as vítimas dos atentados terroristas de 11 de março em Madri, que deixaram 191 mortos e 1,9 mil feridos.
Na França, a associação católica Secours Catolique convidou mil pobres e famílias desfavorecidas para uma ceia de Natal em um barco no Rio Sena. Em Roma e Londres, os ''Pais sem Natal'' protestaram pelo direito de ver seus filhos durante as festas.
No Iraque, onde as igrejas cristãs foram atacadas em diversas ocasiões no decorrer do ano, Emmanuel Delly, patriarca dos caldeus, decidiu, por precaução, antecipar em algumas horas as missas da meia-noite em Bagdá. Os militares americanos que participam da guerra no país receberam uma saudação telefônica do presidente George W. Bush e uma visita surpresa do secretário da Defesa, Donald Rumsfeld.





