Papa reza missa para 100 mil fiéis
France Presse
De Korazim
Cerca de 100 mil fiéis católicos vindos de todo o mundo assistiram ontem a uma grande missa para os jovens celebrada pelo papa João Paulo II no norte de Israel, perto do Monte das Boas-aventuranças, onde Jesus pronunciou seu famoso sermão da Montanha.
Trata-se da concentração mais importante de todo o périplo do papa na Terra Santa, e sem dúvida alguma da maior manifestação cristã que jamais tenha conhecido Israel.
Bandeiras palestinas, árabes e libanesas estavam juntas numa cena de convivência estranha no Oriente Médio. A massa de fiéis, em sua maioria jovens, havia se concentrado nas primeiras horas da manhã em um imenso terreno que a chuva transformou em lodaçal, em Korazim, sobre uma colina que domina o mar da Galiléia.
Segundo a tradição cristã, Jesus pronunciou numa das colinas vizinhas o sermão da Montanha. Neste mesmo local Jesus escolheu seus doze apóstolos. O papa foi calorosamente aclamado em sua chegada.
O Sumo Pontífice celebrou a missa, que durou cerca de duas horas, sentado em um imenso trono cinza, ornamentado com uma cruz. Atrás do trono se encontrava uma imensa imagem de Cristo, dominando a multidão.
A chuva, que caiu abundantemente durante a noite, parou um pouco antes da chegada do papa. Com um lenço palestino no pescoço, Maher Quh, membro da pequena comunidade cristã de Nablus, na Cisjordânia, descansava no chão com seus amigos após uma viagem difícil.
Os soldados israelenses nos impediram a passagem e ficamos bloqueados durante três horas antes de nos darem uma autorização especial, explicou. Ver as bandeiras israelense e palestina juntas me faz pensar que um dia a paz reinará nesta região, acrescentou.
Agrupados atrás de um controle da polícia israelense, jovens libaneses agitavam a bandeira nacional do cedro na qual colaram uma foto do chefe da milícia pró-israelense do sul do Líbano, assassinado no final de janeiro passado durante uma operação do movimento xiita Hezbolá.
Viemos da aldeia de Dibel, na área ocupada por Israel no sul do Líbano, explicou Joseph Ayub, de 20 anos. É um momento muito especial para nós, já que não pudemos ver o Papa quando veio a Beirute há dois anos, acrescentou. Espero que sua visita ajude a acabar com as brigas entre Líbano e Israel. Viva o Papa!, John Paul II, we love you!, clamaram repetidamente os fiéis, cerca de 90 mil, segundo a polícia.
Entre eles, um grupo de Capacetes Azuis poloneses instalados pela ONU na meseta do Golã, ocupada por Israel, veio expressamente para ver seu ilustre compatriota.
Minha fé e o desejo de conhecer cristãos do mundo inteiro me fizeram vir, afirmou por sua vez Joel, um estudante belga de 20 anos pertencente a uma delegação.
O papa veio aqui para testemunhar que inclusive os inimigos podem chegar a se amar, disse Alexander Beronja, um croata de 29 anos. Espero que esse seja também o caso do conflito de meu país nos Balcãs, acrescentou.
No fim da missa, parcialmente celebrada em árabe, seis meninas vestidas de branco fizeram voar pombas, enquanto numerosos fiéis começaram a dançar acompanhados pelos acordes de um grupo de guitarristas latino-americanos.





