O papa João Paulo II rezou em silêncio ontem no túmulo de São João Batista, na mesquita dos Omeyas, em Damasco. Apoiado com a mão direita numa coluna e a outra em seu bastão, os olhos praticamente fechados, o Sumo Pontíficie deu a impressão de fazer uma oração, segundo as imagens difundidas pela televisão síria.
João Paulo II ficou quase um minuto diante do túmulo, onde está o caixão com as relíquias de São João Batista, a quem os muçulmanos veneram como um profeta precursor do Islã, que chamam de Yahya. João Batista, um dos discípulos de Jesus, foi decapitado por Herodes e sua cabeça rolou, segundo a tradição eclesiástica, até Damasco.
O papa pediu, em sua viagem à Síria, que cristãos e muçulmanos se perdoem em favor da paz. ‘‘A convicção religiosa nunca foi uma justificativa para violência’’, disse o papa dentro da mesquita Omeyas, uma das mais veneradas pela população islâmica.
Em respeito à tradição muçulmana, o papa tirou os sapatos para andar pela mesquita. Ele caminhou ao lado do principal religioso sírio, xeque Ahmad Kuftaro. A mesquita foi erguida em um terreno onde houve uma igreja durante 12 séculos. Dentro dela está enterrada a cabeça de São João Batista e do lado de fora está a tumba do Saladino, que comandou os exércitos muçulmanos contra os cristãos durante as Cruzadas.
‘‘Conflitos entre comunidades nunca mais’’, pediu o papa. A oração conjunta entre cristãos e muçulmanos, que havia sido planejada para ocorrer dentro da mesquita, foi cancelada temendo que pudesse ser interpretada como desrespeito à religião local.
Apesar disso, muitos muçulmanos aprovaram a visita do papa, que recebeu uma recepção calorosa nas ruas de Damasco. A multidão, formada principalmente por jovens, acompanhou o papa-móvel. Muitos gritavam ‘‘papa, nós amamos voc꒒ e cantavam ‘‘Aleluia’’. ‘‘Espero que esta visita contribua para a tolerância entre o Islã e a cristãos e fortaleça ambos contra os judeus que estão ocupando nossas terras’’, disse Rouslan Hab el-Rouman, dono de uma tenda de artigos religiosos em Damasco.

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