WROCLAW, Polônia - O Papa João Paulo II pediu ontem ‘‘um exame de consciência sério em escala mundial’’ sobre a ‘‘geografia da fome’’ e abordou o tema da liberdade, denunciando a ‘‘ideologia liberal’’ que quer convecer os homens de que a Igreja é ‘‘inimiga da liberdade’’.
Um dia depois de chegar à Polônia para uma peregrinação de 11 dias, o Papa concelebrou com centenas de cardeais, bispos e sacerdotes poloneses e estrangeiros a missa de encerramento do 46º Congresso Eucarístico Internacional na esplanada do centro de Wroclaw (Oeste da Polônia). Mais de 200 mil fiéis assistiram à missa sob uma chuva fina e um vento frio. O Papa foi acolhido por uma multidão entusiasmada quando se dirigia ao altar.
João Paulo II, que parecia um pouco cansado, celebrou a missa debaixo de um toldo branco e amarelo instalado sobre um grande estrado decorado com flores brancas, amarelas, vermelhas, as cores do Vaticano e da Polônia. ‘‘Neste momento - disse em sua homilia - milhões de nossos irmãos e irmãs passam fome e muitos deles morrem, principalmente crianças’’, exclamou o Papa, acrescentando que, ‘‘em uma época onde acontecem progressos jamais vistos nos campos da técnica e da tecnologia sofisticada, o drama da fome é um grande desafio e uma grande acusação’’.
‘‘A Terra - continuou - está capacitada para alimentar a todos. Por que, então, hoje, no final do século XX, milhões de homens morrem de fome? Um exame de consciência sério em escala mundial é necessário, um exame que inclua a justiça social e a solidariedade elementar entre os homens’’. João Paulo II fez um chamado aos políticos e economistas de todo o mundo, sobre os quais - afirmou - ‘‘pesa a grave responsabilidade de assegurar a justa distribuição de bens tanto em escala mundial como nacional’’.

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