Associated Press
Do Cairo
O papa João Paulo II censurou publicamente o uso da violência em nome da religião, considerada por ele uma ‘‘grande ofensa contra Deus’’, ao iniciar ontem na capital egípcia a primeira visita de um pontífice católico a um país de maioria islâmica.
Programada para durar três dias, a viagem – de cunho puramente religioso, segundo o Vaticano – tem como destaques uma peregrinação ao Monte Sinai, lugar onde Deus presenteou Moisés com as tábuas dos Dez Mandamentos, e encontros com líderes locais do islamismo e do cristianismo ortodoxo.
João Paulo II foi recebido no aeroporto do Cairo pelo presidente egípcio, Hosni Mubarak, que o conduziu até os mastros com as bandeiras do Egito e do Vaticano. Habitualmente, o papa beijava o solo de um país visitado assim que descia do avião, mas, em virtude de sua saúde frágil, dessa vez quatro meninos levaram até ele uma bandeja com terra egípcia para ele beijar.
Depois de uma reunião privada num dos salões do aeroporto, João Paulo II e Mubarak saíram juntos para fazer alguns breves comentários transmitidos por uma cadeia nacional de televisão.
Respondendo à mensagem de boas-vindas do presidente, o papa inicialmente saudou seus ouvintes em árabe e depois declarou, em inglês, que há vários anos tinha o desejo de festejar os 2 mil anos do nascimento de Jesus Cristo visitando e rezando nos lugares especialmente ligados à atuação e à história de Deus.
João Paulo II referiu-se ao Egito como uma pátria do conhecimento, da religião e da unidade entre os povos, e elogiou os esforços de Mubarak em busca da paz na região.
Em seguida, o papa fez algumas contundentes observações sobre a associação entre a religião e a violência. ‘‘Promover a violência e o conflito em nome da religião é uma terrível contradição e uma terrível ofensa contra Deus’’, disse ele, acrescentando: ‘‘Mas a história passada e presente nos dá muitos exemplos de tal abuso da religião.’’
João Paulo II conclamou muçulmanos e cristãos a estabelecer relações harmônicas e fez um apelo em nome de uma paz no Oriente Médio na qual os direitos e legítimas aspirações de todos os povos envolvidos sejam respeitados.
Confirmando sua intenção de estreitar laços com muçulmanos e cristãos ortodoxos, o papa visitou ontem o xeque Mohamed Sayyed Tantawi, líder sunita (a maior corrente do islamismo), e o patriarca copta Shenouda III.
Os coptas – maior igreja cristã no Egito – nunca reconheceram a supremacia de Roma em 2 mil anos de cristianismo.
Sábado, João Paulo II fará uma visita ao mosteiro de Santa Catarina, construído no sopé do Monte Sinai há cerca de 1.500 anos. Nesse local, ocupado por monges da Igreja Ortodoxa Grega, ele buscará reduzir a divisão de cerca de 1.000 anos entre o Vaticano e os ortodoxos, que se separaram depois de disputas sobre a autoridade papal.
No mês que vem, João Paulo II planeja visitar Belém e Jerusalém.João Paulo II cumpre programação de três dias no Egito, cujo ponto alto é uma visita amanhã ao mosteiro de Santa Catarina, no Monte Sinai
France PresseCristãosJoão Paulo II é recebido pelo patriarca copta Shenouda III, líder da maior igreja cristã do EgitoFrance PresseAproximaçãoO papa também visitou ontem o xeque Mohamed Sayyed Tantawi, líder sunita, a maior corrente do islamismo

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