Cidade do Vaticano - O papa Bento XVI pediu aos fiéis para reservar tempo em suas vidas para Deus e para os necessitados. O apelo foi feito durante homilia da tradicional Missa do Galo, iniciada à zero hora de ontem (21 horas de segunda-feira em Brasília), na Basílica de São Pedro, no Vaticano.
Bento XVI insistiu em um tema em que já havia tocado várias vezes, a preocupação com um mundo cada vez mais laico, e disse que muitas pessoas agem como se não houvesse lugar para questões espirituais em suas vidas. ''O ser humano está tão preocupado consigo mesmo, tem uma necessidade urgente de ter todo o espaço e todo o tempo para seus próprios assuntos, que nada sobra para os outros, para seu vizinho, para os pobres, para Deus'', afirmou.
Diante dos milhares de fiéis que foram à basílica, o papa pediu que os católicos reservem um espaço para Deus, assim como para os menos afortunados. ''Nós temos tempo para nosso vizinho que está necessitando de uma palavra? Para aquele que sofre e precisa de ajuda? Para o perseguido ou o refugiado que precisa de abrigo? Nós temos tempo e espaço para Deus?'', questionou.
O pontífice traçou um paralelo entre o que ele entende como uma recusa de Deus pela sociedade moderna e a história de como Jesus Cristo nasceu em uma manjedoura porque não havia lugar para sua família na vizinhança. ''De alguma forma, a humanidade está esperando por Deus, esperando por Ele para se aproximar. Mas, quando esse momento chega, não há nenhum espaço para Ele.''
Paz e justiça
Ao meio-dia de ontem, Bento XVI voltou à sacada da Basílica de São Pedro, onde realizou a bênção Urbi et Orbi (para a cidade e para o mundo, em latim) e leu a mensagem de Natal em mais de 60 idiomas. O papa, vestido de branco e amarelo, pediu paz e justiça para o mundo, do Darfurt ao Sri Lanka e, em particular, no Iraque, no Líbano e na Terra Santa, denunciando o terrorismo e as violências dos quais são vítimas ''crianças e mulheres''. ''Que o menino Jesus traga consolo às pessoas que vivem na provação e dê aos responsáveis dos governos sabedoria e força para buscar e encontrar soluções humanas, justas e estáveis'', disse o pontífice.

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