São Paulo - Os países que agem unilateralmente no cenário mundial minimizam a autoridade das Nações Unidas e enfraquecem o amplo consenso necessário para enfrentar problemas globais. A afirmação foi feita ontem pelo papa Bento XVI, em discurso na Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). O papa também disse que a comunidade internacional, às vezes, tem de intervir quando um país não pode proteger seu próprio povo das graves e contínuas violações aos direitos humanos.
O papa, que chegou ontem a Washington para a segunda parte de sua viagem de seis dias aos Estados Unidos, tornou-se o terceiro pontífice na história a discursar para a Assembléia Geral da ONU. Falando em francês e inglês, ele fez um abrangente discurso sobre assuntos como globalização, direitos humanos e desenvolvimento.
Ele disse que a noção de consenso multilateral estava ''em crise porque ainda está subordinada a decisões de poucos, enquanto os problemas do mundo pedem por intervenções de maneira coletiva pela comunidade internacional''.
Apesar de Bento XVI não mencionar nenhum país específico, a referência pode ter sido destinada aos Estados Unidos, que liderou a invasão do Iraque em 2003, apesar de o Conselho de Segurança da ONU desaprovar a decisão.
''As questões de segurança, os objetivos de desenvolvimento, as reduções das desigualdades locais e globais, dos recursos e do clima, requerem que todos os responsáveis internacionais atuem conjuntamente'', acrescentou o papa.
Em uma suposta referência ao conflito sudanês da região de Darfur, o papa disse que todo Estado tem ''responsabilidade primária'' para proteger seus cidadãos das violações dos direitos humanos e crises humanitárias, mas intervenções de fora, às vezes, são justificadas.
''Se os Estados são incapazes de garantir tal proteção, a comunidade internacional deve intervir com os meios jurídicos determinados pela Carta das Nações Unidas e outras instrumentos internacionais'', disse.

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