O papa Francisco publicou nesta quinta-feira, 18, a tão esperada encíclica sobre o meio ambiente na qual advertiu contra o comportamento "suicida" de um sistema econômico mundial que converteu o planeta em um "depósito de porcaria".

O pontífice afirmou que "o estilo de vida atual" é "insustentável", denunciou o "mecanismo consumista compulsivo" que contribui para a destruição do planeta e defende uma "sana pressão" contra os detentores do "poder político, econômico e social".

O papa teme que o controle da água por grandes multinacionais se torne uma das "principais fontes de conflitos deste século". Seu país natal, a Argentina, vive tensões pela privatização da água.

A encíclica, de 191 páginas, é a primeira que Francisco escreve sozinho - a anterior tinha sido começada pelo seu antecessor, Bento XVI - e faz uma forte crítica ao poderio econômico que busca o benefício financeiro e assim ignora as consequências "sobre a dignidade humana e o meio ambiente".

O papa Francisco cobrou nesta quinta-feira uma ação rápida para salvar o planeta da ruína ambiental, fazendo um apelo aos líderes mundiais para ouvirem "o grito da terra e o grito dos pobres" e colocando a Igreja Católica no meio das controvérsias políticas sobre as mudanças climáticas.

No primeiro documento papal dedicado ao meio ambiente, o papa pede por uma "ação decisiva, aqui e agora" para deter a degradação ambiental e o aquecimento global, diretamente apoiando cientistas que dizem ser provocado principalmente pela ação humana.

Na encíclica "Laudato Si (Seja Louvado), Nos Cuidados de Nosso Lar Comum", Francisco pede por uma mudança do estilo de vida nos países ricos de uma cultura de consumo "descartável" e o fim de "atitudes obstrucionistas" que às vezes colocam o lucro acima do bem comum.

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