Roma - O Papa João Paulo II implorou ontem ''em nome do Deus único que julgará todos nós'' a libertação dos reféns italianos no Iraque, em uma mensagem lida na praça San Pedro ante milhares de manifestantes convocados pelas famílias dos sequestrados.
''O Papa está neste momento rezando na sua capela, se unindo às nossas súplicas ao Senhor'', declarou o arcebispo Giovanni Lajolo. Milhares de pessoas, cerca de 3.000 segundo a polícia, desfilaram em silêncio a pedido das famílias dos reféns para pedir paz e a libertação dos três italianos sequestrados, depois de os sequestradores terem ameaçado executá-los se protestos pacíficos não fossem realizados.
''O Papa não duvida de que se está fazendo o possível, e de que não se exclui nada para garantir a integridade física dos reféns e conseguir sua libertação o mais rápido possível'' afirmou Lajolo. Na mensagem, aplaudida pelos manifestantes, João Paulo II ''agradeceu a todos os que trabalham para restabelecer um clima de reconciliação e de diálogo no Iraque, para que este país consiga sua plena soberania e independência, em condições seguras para a população''.
Os manifestantes levavam uma enorme bandeira arco-íris, símbolo da paz, enquanto as famílias dos três reféns guiavam a marcha, que foi até a praça San Pedro. Os bispos de Bari (sul), Cesenatico e Prati (norte), de onde vêm os três reféns italianos, desfilaram com os prefeitos destas cidades para pedir a libertação de seus compatriotas.
A mensagem do Papa foi transmitida pelas redes de televisão árabes, entre elas Al Jazeera e Al Arabiya. Os rebeldes iraquianos, que mantêm sequestrados os italianos desde o dia 12 de abril, pediram em um vídeo divulgado na semana passada a convocação de manifestações contra a guerra no Iraque como condição para libertar os reféns, e ameaçaram executá-los dentro de cinco dias se a exigência não fosse satisfeita.
Todos os partidos políticos condenaram e rejeitaram a ''chantagem'' dos sequestradores.

mockup