France PresseCruzada democráticaJoão Paulo segundo fala novamente da necessidade de respeito aos direitos humanos na Nigéria e beatifica o padre Michael Cyprian Iwene TansiO Papa João Paulo II pediu ontem novamente aos nigerianos que busquem a reconciliação nacional e denunciou mais uma vez de forma enérgica o ‘‘abuso de poder’’, a injustiça e ‘‘as violações dos direitos humanos’’, no segundo dia de sua visita pastoral a Oba, na Nigéria. Esta é a segunda vez desde sua chegada a Nigéria anteontem, que o Papa João Paulo II se declara publicamente a favor da defesa dos direitos humanos neste país.
‘‘Os nigerianos devem libertar a sociedade de tudo que ofende a dignidade da pessoa humana e viola os direitos humanos’’, declarou o Santo Padre durante a missa, que foi realizada em Oba, perto de Onitsha (leste) pela beatificação do padre Michael Cyprian Iwene Tansi, monge nigeriano cistercense, ante uma multidão exaltada de cerca de dois milhões de fiéis.
Abordando diretamente o contexto político nigeriano, o Papa estimou que no momento em que a ‘‘nação nigeriana prossegue numa transição pacífica para um governo democrático e civil, há necessidade de pessoal político - homens e mulheres - que amem profundamente seu povo e desejem servi-lo mais do que serem servidos’’.
O chefe de Estado nigeriano, general Sani Abacha, comprometeu-se solenemente em ceder o poder, no dia 1º de outubro, a um presidente civil eleito democraticamente. As eleições presidenciais estão marcada para 1º de agosto.
João Paulo II pediu às autoridades nigerianas, ao chegar anteontem, a Abuja, medidas de clemência em favor de sessenta presos nigerianos. O regime militar do general Abacha foi condenado pela comunidade internacional e submetido a sanções, entre elas a suspensão da Nigéria da Commonwealth, por suas múltiplas violações dos direitos humanos.
A missa de beatificação do padre Tansi desenvolveu-se sob um calor excepcional na pista de um aeródromo de Onitsha, o maior mercado da África Ocidental, que nunca chegou a ser construído.
O Papa elogiou a vida exemplar do padre Tansi, que ontem se converteu no primeiro ‘‘Bem-aventurado’’ da África Ocidental. Durante a missa, o Soberano Pontífice deu pessoalmente a comunhão a vários fiéis, entre eles Philomena Nnana, que, em 1986, foi curada de um câncer terminal supostamente graças ao fato de ter beijado o ataúde do padre Tansi.
O Papa deveria reunir-se ontem à noite, em Abuja, com uma delegação de dignatários religiosos muçulmanos. Hoje, antes de sua volta a Roma, celebrará uma grande missa campal em Kubwa, perto de Abuja, e se reunirá com os bispos católicos da Nigéria.

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