A execução de 23 hutus que participaram do genocídio em Ruanda, previstas para hoje, foi criticada ontem pelo Papa João Paulo II e por várias organizações internacionais. Segundo o papa, que enviou uma carta ao presidente de Ruanda, Pasteur Bizimungu, pedindo o adiamento das execuções, apenas um gesto de clemência poderá contribuir para a reconciliação entre as etnias hutu e tutsi que se enfrentam naquele país africano.
Também a Anistia Internacional apelou pela suspensão das execuções dos acusados de genocídio, afirmando que a aplicação da pena só irá aumentar a violência na sociedade ruandesa. Porta-voz da Comissão de Direitos Humanos da ONU condenou as execuções que devem se realizar diante de um grande público. Segundo a comissão, no processo judicial não ficou comprovada a culpa dos condenados à morte.
Os condenados pertencem à etnia majoritária em Ruanda, os hutus, e são acusados de terem organizado em 1994 os massacres contra a minoria tutsi, que atualmente controla o governo. Mais de meio milhão de tutsis morreram em pouco mais de três meses.

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