Papa lamenta a 'tragédia' do Holocausto
France Presse
De France Presse
O papa João Paulo II chegou ontem a Yad Vashem, o monumento erguido em Jerusalém em memória dos seis milhões de judeus assassinados pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, e em seu discurso lamentou a terrível tragédia do Holocausto, embora não tenha apresentado as desculpas esperadas por muitos judeus.
O memorial Yad Vashem, cujo nome significa monumento e memorial, se refere ao Livro de Isaías da Bíblia e foi erguido na Colina da Recordação. Trata-se de um documento construído em rocha basáltica que inclui uma sinagoga e uma biblioteca. Também tem um museu histórico que possui uma importante documentação sobre as perseguições ocorridas durante o regime nazista, assim como contra as comunidades judias que desapareceram.
O papa chegou um pouco antes das 13 horas locais a bordo de um automóvel escoltado por um imponente dispositivo de segurança. João Paulo II foi recebido pelo primeiro-ministro Ehud Barak e, movimentando-se lentamente, dirigiu-se ao Salão da Memória, um cômodo escuro em que arde uma chama eterna em memória das vítimas do nazismo. Em seguida, ficou um longo momento ante a chama, em total silêncio.
Em seu discurso no Memorial, o Papa também condenou todos os atos de anti-semitismo cometidos por cristãos ao longo dos tempos e manifestou sua esperança de que esta tragédia conduzirá a uma nova relação entre cristãos e judeus.
Garanto ao povo judeu que a Igreja Católica está profundamente entristecida pelo ódio, atos de perseguição e demonstrações de anti-semitismo direcionado contra os judeus pelos cristãos em qualquer tempo e qualquer lugar.
Com seu rosto iluminado por uma pequena luz no escuro memorial, o Papa recordou como perdeu vizinhos e amigos judeus durante sua infância na Polônia, no que constituiu sua observação mais pessoal desde que iniciou sua peregrinação.
O papa, no entanto, não apresentou as desculpas que muitos judeus esperavam da Igreja Católica pelas responsabilidades que lhe são imputadas pelo holocausto cometido pelos nazistas contra a comunidade judia durante a Segunda Guerra Mundial.
Isso causou reação imediata de um dos grandes rabinos do Estado Hebreu, Israel Lau, afirmou que ter ficado insatisfeito com as declarações do papa João Paulo II no discurso que Sua Santidade.
Eu esperava dele algo que não se limitasse aos membros da igreja que pecaram contra o povo judeu, como também sobre a própria Igreja Católica, que em mais de uma oportunidade atiçou o ódio aos judeus, afirmou o rabino Lau a um canal de televisão.
O papa João Paulo II, por sua parte, saiu sorridente do Memorial Yad Vashem, onde permaneceu mais de uma hora, em um ambiente de plena emoção.
Depois de seu discurso, o papa entrevistou-se alguns minutos com os convidados que desejavam apertar sua mão. Entre os presentes estavam cerca de 200 sobreviventes do Holocausto, vinte deles originários da cidade natal do Papa, Watowice, na Polônia.
Depois voltou ao veículo oficial apoiando-se em uma bengala, acompanhado pelo primeiro-ministro israelenese Ehud Barak e sua esposa.
Ehud Barak aproveitou para prestar homenagem ao papel do papa João Paulo II na mudança histórica da Igreja Católica em relação aos judeus, em um discurso pronunciado na presença do Sumo Pontífice em Yad Vashem.
O senhor foi, Sua Santidade, uma jovem testemunha da tragédia, prosseguiu Barak, recordando que seus avós, Elka e Shmuel Godin, oriundos da região de Varsóvia, morreram no campo de concentração de Treblinka.
O senhor estava lá (na Polônia) e se recorda disso. O senhor fez mais do que ninguém para realizar uma mudança histórica na atitude da igreja frente ao povo judeu, iniciado pelo bom João XXIII, e para fechar as feridas abertas que haviam supurado durante longos séculos de amargura, declarou Barak.
Comentando o mea culpa apresentado em 12 de março pelo papa pelas faltas cometidas pela Igreja durante os 2.000 anos de História, Barak assegurou que Israel aprecia muito profundamente este ato nobre.
Barak também reiterou o compromisso absoluto de Israel de proteger todos os direitos e bens da Igreja Católica, assim como os de outras instituições cristãs e muçulmanas. O primeiro-ministro recebeu o papa com breves palavras em hebreu: Aqui, em Jerusalém, a capital de Israel, a cidade eterna da fé.Ao visitar o monumento em memória aos judeus mortos pelos nazistas, João Paulo condenou o extermínio, mas não apresentou desculpas
France PresseEMOÇÃONo Salão da Memória, onde arde uma eterna chama pelas vítimas do nazismo, o papa ficou em total silêncio





