Papa João Paulo II piora e recebe extrema-unção
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quinta-feira, 31 de março de 2005
France Presse 
Roma - O Papa João Paulo II, cujas condições de saúde se agravaram nas últimas horas, ''está mal, muito mal'', informaram fontes médicas no Vaticano. Um porta-voz disse que não poderia confirmar os relatos, mas fontes da Igreja disseram que era provável que o pontífice tivesse recebido o sacramento da Igreja Católica reservado para os doentes e os moribundos.
O sacramento, que envolve a fricção de óleos especiais no enfermo, já foi chamado de ''extrema-unção'' ou ''últimos ritos''. Agora é conhecida como ''unção dos enfermos''. A revelação foi feita minutos após o professor Rodolfo Proietti, chefe da equipe médica que atende o Papa, excluir sua internação.
João Paulo II está com uma ''febre muito alta'', provocada por uma infecção das vias urinárias, informou ontem o porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro Valls. Em uma declaração divulgada na noite de ontem, Navarro disse que foi ''iniciada uma terapia com antibióticos'' e que o quadro clínico do Papa está sendo ''controlado pela equipe médica do Vaticano que o atende''.
Na madrugada desta sexta-feira (22h no Brasil) a Rádio Vaticano informou que as condições de saúde do Papa João Paulo II ''parecem ter se estabilizado, após uma reação positiva aos antibióticos''. Os médicos temem que o Papa tenha uma infecção generalizada (septicemia).
Segundo a rede de TV Sky Italia, o Papa é assistido por seu médico pessoal, Renato Buzzonetti, e por uma equipe de especialistas do Hospital Gemelli. Outras fontes asseguraram que o pontífice está cercado também por colaboradores próximos, entre eles seu secretário particular, monsenhor Stanislaw Dziwisz, e o cardeal Angelo Sodano, secretário de Estado do Vaticano.
A última vez que o Papa recebeu a unção dos enfermos foi em 13 de maio de 1981, o dia em que ele foi baleado e quase morto em uma tentativa de assassinato na Praça São Pedro.
Direção da Igreja - O bispo de Breda, Tiny Muskens, afirmou ontem que a doença do Papa João Paulo II tem um efeito profundo na direção da Igreja Católica, informou a agência de notícias ANP. ''Esta situação não pode se prolongar por muito tempo'', declarou Tiny Muskens em Roma.
''Os efeitos da doença na direção da Igreja são profundos, pois o Papa não pode reagir perante nada'', frisou Muskens. O Vaticano anunciou na quarta-feira que o Papa está sendo alimentado por uma sonda nasogástrica e que sua convalescença é lenta e progressiva.
Ontem uma fonte do Vaticano afirmou que o Santo Padre havia perdido mais de 19 quilos desde que foi submetido a uma traqueostomia no mês passado. ''O Papa perdeu cerca de 19 quilos. Por isso que decidiram colocar uma sonda nasogástrica na quarta-feira'', informou uma fonte. João Paulo II apareceu cansado na quarta-feira na janela de seu quarto no Vaticano e a perda de peso era perceptível.
Muskens manifestou suas inquietações sobre a direção diária da Igreja Católica. ''Esta manhã falei com um prelado da Santa Sé que habitualmente visita o Papa todos os dias e ele me disse que não o vê há um mês... isto quer dizer que ele não pôde transmitir milhares de mensagens das pessoas de suas região. A comunicação entre Roma e o resto do mundo está completamente paralisada'', destacou o bispo.
De acordo com o religioso, a Igreja está sendo dirigida pelos cardeais que têm acesso ao Papa, mas não está claro se o sumo pontífice tem como informar aos mais próximos o que realmente deseja.


