'Papa já vê e toca Cristo', diz cardeal do Vaticano
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sexta-feira, 01 de abril de 2005
Das agências 
Roma - O Papa João Paulo II está perto da morte, segundo deu a entender uma importante autoridade da Santa Sé. ''Nesta noite, Cristo abre a porta para o Papa'', afirmou o vigário-geral da Cidade do Vaticano, Angelo Comastri, a uma multidão reunida na Praça de São Pedro para rezar o rosário pelo Pontífice. Ontem, o Papa João Paulo II dedicou o dia de ontem à preparação espiritual para a etapa final de sua vida, além de tentar deixar tudo em ordem com seus colaboradores para facilitar a transição.
A manhã do Papa, segundo seu porta-voz, Joaquín Navarro Valls, foi a de um crente e de um chefe espiritual que desejava deixar tudo em ordem antes do fim. Às 6h locais, o Papa participou de uma missa. Às 07h15, ''lembrando que era sexta-feira'', pediu que fosse lida as 14 estações da Via Crúcis, o percurso da Paixão e morte de Cristo, ''fazendo o sinal da cruz em cada estação''.
Durante uma missa especial pelo Papa, o vigário de Roma, cardeal Camillo Ruini, havia dito que ''a fé do Papa é tão forte e plena e a experiência de Deus vivida com tanta intensidade que ele, nestas horas de sofrimento... já vê e toca Cristo''. O cardeal Javier Lozano Barragan, ministro da Saúde do Vaticano, disse à TV mexicana Televisa que o Papa ''está prestes a morrer''.
Em seguida, acrescentou o porta-voz, João Paulo II ''recebeu vários colaboradores'', aqueles que desempenharão papel mais importante após sua morte: o secretário Angelo Sodano, número dois do Vaticano, o arcebispo argentino Leonardo Sandri, substituto da secretaria de Estado, e o cardeal Camillo Ruini, seu vigário para a diocese de Roma, presidente da Conferência Episcopal Italiana.
Estiveram na presença do Papa também o cardeal Edmund Szoka, presidente do Governo do Estado da Cidade do Vaticano, o cardeal Joseph Ratzinger, decano do Colégio Cardinalício, o arcebispo Giovanni Lajolo, secretário de relações com os Estados (o chanceler do Vaticano) e o arcebispo Paolo Sardi, vice-camerlengo.
O grande ausente foi a figura que desempenhará oficialmente o papel mais importante depois da morte do Papa, o cardeal espanhol Eduardo Martínez Somalo, que é o camerlengo (cardeal que governa interinamente a Igreja entre a morte de um Papa e a eleição do seguinte).
João Paulo II recebeu o ''santo viático'', o Sacramento da Eucaristia administrado aos enfermos impossibilitados de sair de casa, na noite de quinta-feira, depois que seu estado de saúde se agravou bruscamente.
Na quarta-feira, dia da tradicional audiência-geral, o Papa voltou a se mostrar publicamente, provavelmente pela última vez, na janela de seu apartamento. Muito debilitado, incapaz de pronunciar qualquer palavra, apesar do esforço, emocionou os milhares de fiéis reunidos na Praça de San Pedro.
Na tarde de ontem, o serviço de imprensa do Vaticano publicou uma longa lista de demissões e nomeações de bispos e núncios apostólicos, assinada pelo Papa antes do agravamento de seu estado de saúde. Mas para que fossem válidas, essas nomeações e demissões tinham que ser publicadas antes da morte do Pontífice.


