O papa João Paulo II ficou ombro a ombro ontem com o patriarca da Igreja Ortodoxa, em uma visita histórica de três dias à Romênia, desenhada para tentar reduzir as diferenças entre o Cristianismo Católico e o Ortodoxo.
João Paulo II é o primeiro pontífice a visitar um país majoritariamente ortodoxo em aproximadamente mil anos, desde o Grande Cisma, quando a Igreja do leste rompeu com Roma.
O papa desembarcou ontem no aeroporto Baneasa, de Bucareste, às 12h05 (horário local), e foi saudado pelo patriarca romeno Teocintes e pelo presidente Emil Constantinescu.
A visita de três dias do papa à Romênia, onde 80% dos 22 milhões de habitantes se declaram ortodoxos, é vista como um primeiro passo para a melhora da convivência entre os dois credos.
‘‘Esta é a primeira vez em 2 mil anos de Cristianismo que um bispo de Roma está visitando essa parte da Europa e um país ortodoxo’’, declarou o bispo ortodoxo Nifon em entrevista ao lado de padres católicos. ‘‘A posição da Romênia, como uma ponte entre o Oriente e o Ocidente, explica por que ela foi escolhida para uma visita como essa.’’
João Paulo II recordou ontem a perseguição sofrida pelos católicos nesse país durante o período comunista. ‘‘Bispos, sacerdotes e leigos tiveram que pagar com sangue por sua f钒, disse ele.
O papa pediu que sejam devolvidas aos católicos as igrejas e antigas escolas confiscadas pelos comunistas e entregues aos ortodoxos, no final da Segunda Guerra Mundial. Essa disputa representa um impasse nas relações entre as duas igrejas na Romênia.
Entretanto, o Papa também fez um apelo à cooperação entre a Igreja Católica e a Ortodoxa e pediu à União Européia que ajude a Romênia a sair da crise e a reerguer sua economia.

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