Cidade do Vaticano - O Papa Francisco substituiu ontem o número dois do Vaticano, Tarcisio Bertone, por um diplomata, o italiano Pietro Parolin, em meio a uma ampla reforma da Cúria, anunciou a Santa Sé em um comunicado.
Originário da região de Veneza e ordenado padre em 1980, monsenhor Parolin, de 58 anos, foi núncio (embaixador do Vaticano) na Venezuela.
Ele substituirá Bertone no cargo de secretário de Estado em 15 de outubro.
Tarcisio Bertone, de 78 anos, é desde 1986 o homem de confiança do agora papa emérito Bento XVI, ao qual foi fiel durante os escândalos que sacudiram seu pontificado: os escândalos de pedofilia, Vatileaks, reforma das finanças do Vaticano, "Lobby gay", entre outros.
Uma vasta reforma da Cúria está sendo realizada pelo Papa Francisco desde a sua eleição em março. Várias comissões foram criadas com este intuito.
Os principais objetivos desta reforma devem ser anunciados no início de outubro.
"Eu sinto o peso da responsabilidade a que fui incumbido para um missão difícil e exigente, frente a qual poucas são minhas forças e fracas as minhas capacidades", reagiu Parolin no comunicado, agradecendo ao Papa por sua "confiança".
Parolin é relativamente jovem nos escalões superiores do Vaticano o que, segundo os observadores, poderia contribuir para um renascimento no governo da Igreja. Ele trabalhou no México (1989) e Nigéria (1986), e lidou com temas sensíveis, tais como as relações com a China comunista, o Vietnã e Israel.
De acordo com o especialista em assuntos religiosos Gianni Valente, Parolin se encaixa "no verdadeiro espírito da diplomacia vaticana". Ele "estará bem posicionado para oferecer sua sabedoria e discernimento para promover a paz" no mundo, escreveu Valente no site Vatican insider.
É tradição que o novo Papa substitua, mais cedo ou mais tarde, o secretário de Estado nomeado pelo seu antecessor, e o cardeal Bertone já tinha ultrapassado o limite de idade, de 75 anos, geralmente em vigor para a aposentadoria de altos funcionários.
Também ontem, o Papa Francisco confirmou à frente da Casa Pontifícia (encarregada das audiências e da logística do pequeno Estado), um próximo colaborador de Bento XVI, monsenhor Georg Gänswein.
O cardeal Bertone prosseguirá na Cúria como camerlengo, posto chave para administrar a transição após a morte ou renúncia de um papa.

mockup