Papa Francisco reza pelo sangue derramado pelos inocentes
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sexta-feira, 14 de abril de 2017
France Presse 

Roma - O papa Francisco presidiu nesta sexta-feira (14), em uma Roma blindada, sua quinta Via Crucis como pontífice, ao redor do Coliseu, ao fim da qual rezou pelo "sangue derramado pelos inocentes" por conta das guerras e injustiças. Ao final do percurso com o qual se rememora o calvário de Cristo até sua crucificação, o papa pronunciou mais de sete vezes a palavra "vergonha" para enumerar os pecados, omissões, injustiças, escândalos e horrores que atingem o mundo e a Igreja.
"Vergonha pelo sangue de inocentes que cotidianamente é derramado de mulheres, crianças, imigrantes, pessoas perseguidas pela cor da pele ou por seu pertencimento étnico, social, ou por sua fé", disse o papa com voz firme e, às vezes, comovida. Dirigindo-se ao Cristo crucificado, o papa argentino reconheceu sua "vergonha por todas as imagens de devastação, destruição e naufrágio, que se tornaram comuns para nós", acrescentou.
O papa Francisco reconheceu também sua "vergonha por todas as vezes que bispos, sacerdotes, consagrados e consagradas feriram seu corpo, a Igreja", em alusão aos abusos cometidos por padres pedófilos. Em sua oração, o pontífice pediu por "irmãos atingidos pela violência, pela indiferença e pela guerra" e pediu que "rompam as cadeias que nos fazem prisioneiros de nosso egoísmo, de nossa cegueira involuntária, e da vaidade de nossos cálculos mundanos".
O papa chegou às 21 horas (16 de Brasília) ao célebre monumento romano, onde cerca de 20 mil pessoas, entre elas turistas e religiosos, além da prefeita de Roma, Virgina Raggi, o esperavam, algumas com tochas. O percurso noturno ao redor do Coliseu foi feito neste ano em um clima particular, marcado pelas fortes medidas de segurança adotadas desde os atentados de domingo passado no Egito contra duas igrejas de cristãos coptas, que deixaram 45 mortos.
Toda a área foi vigiada por patrulhas da polícia e pelo exército, além de corpos especiais de Inteligência. Tanques do exército foram colocados na entrada da grande avenida que leva ao Coliseu para impedir ataques contra a multidão com automóveis, como ocorreu em Londres e Nice.
Francisco presidiu o rito do terraço do Palatino, em frente ao imponente anfiteatro romano, sem percorrer a pé as 14 estações. Para esta ocasião, as meditações foram escritas pela biblista francesa Anne-Marie Pelletier, que decidiu não usar os nomes que habitualmente usa. Entre os novos nomes das 14 estações destacam-se "Jesus é negado por Pedro", "Jesus e Pilatos", enquanto a última, a 14ª, se chamou "Jesus no sepulcro e as mulheres", tema que desenvolveu a questão feminina, das mulheres que sofrem.
Antes da Via Crucis, o pontífice, vestido de vermelho, se deitou sobre uma tapete na basílica de São Pedro, sem a cruz em seu peito e o anel de pescador, como um sinal de que Jesus morreu.
No domingo, as celebrações atingirão o ápice da Semana Santa com a missa da Ressurreição e com a mensagem "Urbi et orbi", que significa "à cidade e ao mundo".


