Papa Francisco pede diálogo na Venezuela em visita à Colômbia
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quarta-feira, 06 de setembro de 2017
France Presse 

Bogotá - O papa Francisco pediu que promovam "caminhos de solidariedade, justiça e concórdia" na Venezuela, ao iniciar nesta quarta-feira (6) sua visita à Colômbia, na qual falará de paz e reconciliação em um país que busca extinguir o único conflito armado do continente.
O pontífice argentino, de 80 anos, chegou às 16h36 locais (18h36 de Brasília) ao aeroporto militar Catam, em Bogotá, para uma histórica viagem de cinco dias, que contará com atos e missas em quatro cidades.
"Envio saudações cordiais à sua excelência (presidente Nicolás Maduro) e a todas as pessoas da Venezuela. Orando para que todos na nação possam promover caminhos de solidariedade, justiça e concórdia. Invoco particularmente a benção de Deus para a paz a todos vocês", declarou o pontífice. O papa pediu "uma oração para que possa haver diálogo com todos" no país, que vive meses de protesto contra Maduro.
Membros da Igreja Católica na Venezuela se reunirão com o papa nesta quinta-feira (7), durante um encontro com o Conselho Episcopal Latino-Americano em Bogotá. O Vaticano tem apoiado as tentativas de diálogo entre Maduro e a oposição. A visita do papa, que inclui as cidades de Bogotá, Villavicencio, Medellín e Cartagena, "é uma viagem especial (...) para ajudar a Colômbia a seguir em frente em seu caminho de paz".
A 70 km de Bogotá, na cidade de Villavicencio, Francisco vai liderar o ato mais relevante durante sua viagem de cinco dias. Afetada pela violência da guerrilha e paramilitar, a região receberá uma missa e um encontro de oração para reconciliar um país que, por meio século, sofreu com um violento conflito armado. O evento contará com as presenças de vítimas e de algozes arrependidos.
O confronto entre guerrilhas, paramilitares e forças do Estado deixou 7,5 milhões de vítimas, entre mortos, desaparecidos e deslocados. Nas missas e visitas de que Francisco participará nas quatro cidades colombianas, um país de 48 milhões de habitantes e de maioria católica, os organizadores calculam que serão 2 milhões de fiéis em Bogotá; 1 milhão em Medellín, assim como em Villavicencio; além de cerca de 750.000 presentes em Cartagena.
A força pública colombiana se encarregará de velar pela segurança de Francisco. Além disso, haverá 19.660 voluntários. Na segunda-feira (4), Francisco enviou aos colombianos uma mensagem: "Querido povo da Colômbia, dentro de poucos dias visitarei o vosso país. Irei como peregrino de esperança e paz".
O papa reconhece "a constância em busca da paz e da harmonia" do povo colombiano e assegura que a paz que a Colômbia "quer há muito tempo e trabalha para consegui-la" dever ser "estável, duradoura, para nos vermos e nos tratarmos como irmãos, nunca como inimigos".
Francisco chega em um momento particularmente positivo depois que a última guerrilha ativa do país, o ELN (Exército de Libertação Nacional), anunciou um cessar-fogo temporário. O papa respaldou sem hesitação as negociações que permitiram o desarmamento de 7.000 combatentes e a transformação da guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em partido político.


