O papa João Paulo II chegou ontem no final da manhã à Síria, para sua primeira e histórica visita ao país, que durará quatro dias. O pontífice foi recebido pelo presidente sírio Bachar al-Assad no Aeroporto Internacional de Damasco. Ao chegar no Oriente Médio, o papa fez um apelo por uma ‘‘paz verdadeira’’ e defendeu uma ‘‘atitude de compreensão e respeito entre os povos’’.
‘‘Como disse publicamente em outras ocasiões, chegou o momento de voltar aos princípios da legalidade internacional: proibição de ocupar territórios à força, direito dos povos de dispor de si mesmo, respeito às resoluções da ONU e da Convenção de Genebra’’, afirmou.
João Paulo II, que aos 81 anos realiza uma peregrinação seguindo os passos de São Paulo, enviou uma mensagem de boa-vontade aos muçulmanos, que são a maioria da população síria. ‘‘Minha saudação é a mais cálida para os fiéis do Islã que vivem nessa nobre terra’’, disse o papa. ‘‘Que a paz esteja convosco’’. Já o presidente sírio Bachar al-Assad pediu a João Paulo II que apóie a Síria, o Líbano e os palestinos contra a ‘‘opressão’’ israelense.
O papa chegou à Síria vindo de Atenas e posteriormente viajará para Malta. Na Grécia, ainda ontem de manhã, o sumo pontífice concluiu a única liturgia pontificial celebrada até o momento na terra grega ortodoxa com uma bênção. ‘‘Que a paz esteja convosco e que Deus abençoe a Grécia’’, disse, em grego.
Cerca de 15 mil pessoas assistiram à missa celebrada no palácio de esportes do complexo olímpico de Atenas, com capacidade para 18 mil pessoas. João Paulo II estava visivelmente mais cansado do que na véspera. Poloneses e filipinos compunham a metade do público, segundo os jornalistas presentes. Durante a missa, celebrada junto com bispos da hierarquia católica, os fiéis recitaram o credo em grego.
Mas o fervor foi pouco. Ao final da celebração, os poloneses se levantaram e cantaram uma homenagem à Virgem Maria. Aparentemente irritados, os gregos cantaram, de maneira imprevista, o hino nacional da Grécia. Ao final da celebração, porém, João Paulo II e seu séquito abandonaram a plataforma sob fortes aplausos, como aconteceu em sua chegada ao estádio ateniense.
Hoje o chefe da Igreja católica vai passar pelo portal da Mesquita dos Omeyas, ou a Grande Mesquita de Damasco, no coração da parte velha, onde visitará a tumba de São João Batista antes de se reunir com os chefes religiosos muçulmanos. João Paulo II será o primeiro papa a entrar numa mesquita, neste caso uma das mais sagradas do Islã. No local o papa se encontrará com dignatários religiosos sírios e fará um discurso sobre o bom relacionamento das duas religiões.
Amanhã, após uma missa fechada na nunciatura, o papa visitará a capela de São Paulo e o memorial dedicado ao santo. João Paulo II viajará logo em seguida a Kuneitra, cidade fantasma das colinas de Golã, na área não ocupada pelos israelenses, a 60 km de Damasco. João Paulo II vai rezar pela paz nas ruínas de uma igreja ortodoxa grega da cidade, ocupada por Israel em 1967 e restituída em 1974.
Na terça-feira, o Papa chega à ilha de Malta, com 99% de católicos. O pontífice retorna ao Vaticano na noite de quarta-feira.

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