Papa faz coroação da padroeira de Cuba
France PressePadroeiraA imagem da Virgem da Caridade do Cobre chega a Santiago de Cuba, acompanhada de centenas de fiéis, para a missa na Praça da RevoluçãoCentenas de fiéis e religiosos acompanharam ontem, desde o pequeno povoado de El Cobre, no extremo leste da ilha, até Santiago de Cuba, a Virgem da Caridade do Cobre, a padroeira de Cuba, que às 11h10 local (16h10 GMT) seria coroada pelo papa João Paulo II, em uma grande missa na Praça da Revolução de Santiago.
Em sua homilia, o sumo pontífice deveria enfocar ontem à tarde o tema do patriotismo nesta cidade, uma das primeiras fundadas durante a conquista espanhola, onde repousam os restos do apóstolo da independência cubana José Martí e cenário de lutas revolucionárias na década de 50.
Na cidade de Camaguey, durante sua homilia de sexta-feira, João Paulo II advertiu à juventude cubana que as frustrações dos sonhos da sociedade não devem ser atribuídas somente ao sistema políticos, nem aos embargos econômicos. Posteriormente regressou à capital e ofereceu um discurso aos intelectuais cubanos na Universidade de Havana, expressando sua esperança de que no futuro os cubanos alcancem uma civilização de justiça, solidariedade e verdade.
João Paulo II disse aos acadêmicos, escritores, outros intelectuais e ao atento líder cubano que as instituições culturais cubanas (referindo-se às universidades) deveriam trabalhar com a Igreja num proveitoso diálogo cultural.
Ele lembrou aos ouvintes que a primeira universidade de Cuba foi fundada pela ordem dominicana. Segundo ele, suas raízes mostraram sua vocação para ser uma fonte de sabedoria e liberdade e uma inspiração à luta e justiça. Mas Fidel já manifestou publicamente ao papa seu desgosto com a educação católica, com a qual ele foi criado.
O Vaticano ainda não recebeu nenhuma resposta ao pedido de João Paulo II a Fidel Castro de libertação dos presos políticos, indicou o porta-voz do Papa, Joaquín Navarro Valls, uma hora antes da missa do Sumo Pontífice em Santiago de Cuba.
O pedido de clemência do Papa foi reforçado anteontem à noite pelo cardeal Angello Sodano, secretário de Estado do Vaticano, ao vice-presidente cubano Carlos Lage. Prisioneiros cubanos se dirigiram ao Papa para lhe pedir sua intervenção, acrescentou Navarro.
O porta-voz não forneceu nenhuma precisão sobre o número ou a identidade dos prisioneiros. Segundo o último informe da Comissão Cubana de Direitos Humanos e da Reconciliação Nacional (CCDHRN, sem estatuto legal), mais de 500 cubanos estão detidos na ilha por motivos políticos e cerca de 110.000 por delitos comuns.





