France Presse
De Belém
O papa João Paulo II fez ontem, durante sua visita ao acampamento de refugiados de Dheicheh, perto de Belém, um apelo aos líderes do Oriente Médio e da comunidade internacional para que dêem fim ao ‘‘sofrimento’’ dos refugiados palestinos.
Acompanhado pelo presidente da Autoridade Palestina Yasser Arafat, o papa, de pé em seu ‘‘papamóvel’’, foi recebido por uma multidão entusiasmada, na qual eram vistas inúmeras crianças moradoras desse acampamento que abriga 8 mil refugiados. Os aplausos tornavam-se mais intensos na medida em que penetrava no acampamento.
‘‘Ao longo de todo meu pontificado, senti-me próximo do povo palestino por seus sofrimentos’’, afirmou o papa, enfatizando o ‘‘profundo significado’’ de sua presença em meio aos refugiados.
‘‘Somente um esforço por parte dos líderes do Oriente Médio e da comunidade internacional em seu conjunto – inspirado por uma elevada visão da política a serviço do bem comum – pode suprimir as causas de vossa situação’’, declarou o Santo Padre ante os refugiados e representantes de organizações humanitárias.
Para muitos palestinos a visita a este acampamento constitui o momento forte da peregrinação de seis dias à Terra Santa, iniciada na véspera pelo papa, já que a presença dele em Dheicheh constitui um reconhecimento do que consideram uma catástrofe: o exílio de 700 mil palestinos depois da guerra que resultou na criação do Estado de Israel em 1948.
O papa não se pronunciou diretamente sobre a principal exigência da Autoridade Palestina: o ‘‘direito de retorno’’, ou seja, a possibilidade de retornar aos lugares de onde foram expulsos por Israel. ‘‘O objetivo de meu apelo é conseguir uma maior solidariedade internacional e vontade política de enfrentar esse desafio’’, explicou o papa depois de ter citado ‘‘as condições degradantes em que frequentemente vivem os refugiados’’.
‘‘Peço’’, prosseguiu, ‘‘a todos os que trabalham sinceramente pela justiça e pela paz que não desanimem. Peço aos líderes que apliquem os acordos já concluídos e que avancem até a paz, à qual aspiram todos os homens e mulheres razoáveis, e até a justiça, que é um dos seus direitos inalienáveis’’.
Mesmo assim João Paulo II disse esperar que sua visita ao acampamento de Dheicheh ‘‘permita recordar à comunidade internacional a necessidade de uma ação decisiva para melhorar a situação do povo palestino’’. Dirigindo-se aos refugiados, o Papa disse: ‘‘Vocês foram privados de muitas coisas que representam as necessidades de todo ser humano: moradia, assistência médica, educação e trabalho. Mas principalmente têm guardada a triste lembrança do que precisaram abandonar: não só bens materiais, mas também a liberdade, a proximidade com seus parentes, o ambiente familiar e as tradições culturais que alimentam suas vidas pessoais e familiares’’.
Finalmente, convidou os jovens ‘‘a lutar, graças à educação, para ocupar o lugar que lhes corresponde na sociedade, apesar das dificuldades do seu estatuto de refugiados’’. Dos cerca de 21,4 milhões de refugiados do mundo, mais de 3,3 milhões são palestinos, segundo cifras da Agência das Nações Unidas para a ajuda aos refugidos palestinos (Unrwa), citadas pelo porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls.João Paulo II conclamou líderes do Oriente Médio e da comunidade internacional a dar ‘‘um fim ao sofrimento dos refugiados’’
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