Papa faz alerta para a manipulação ideológica da religião
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sábado, 09 de maio de 2009
Folhapress 
São Paulo - Em sua primeira viagem pela Terra Santa, o papa Bento 16 afirmou ontem que as religiões ''podem se corromper'' e que ficam ''desfiguradas'' quando são obrigadas a servir à ignorância e ao preconceito, ao desprezo, à violência e ao abuso.
O papa fez essas declarações no discurso que pronunciou durante a colocação da primeira pedra da futura Universidade Católica do Patriarcado Latino de Madaba, província jordaniana onde vivem vários cristãos.
Em discurso no qual ressaltou o papel do conhecimento, o papa disse que a fé em Deus não suprime a busca da verdade, mas, ao contrário, a encoraja. Lembrou a frase do apóstolo Paulo na qual pedia os cristãos a abrir a mente ''para tudo que é verdade, é nobre, justo, puro, bom, virtuoso e merece ser louvado''.
O papa lembrou ainda os benefícios da ciência e da tecnologia, mas ressaltou que ambas ''têm seus limites e não podem dar resposta a todas as questões sobre o homem e sua existência''.
''Na realidade, o ser humano, seu lugar e seu objetivo no mundo não podem ser contidos dentro dos confins da ciência'', disse o papa, que acrescentou que o uso do conhecimento científico precisa da ''luz orientadora da sabedoria ética''.
As palavras têm um significado particular no momentos em que os muçulmanos radicais jordanianos lembram a polêmica provocada pelas declarações do Papa em uma universidade da Alemanha em 2006, quando teria vinculado a violência ao Islã. ''Esta perversão da religião não é inevitável'', destacou o papa, para quem promover a educação é expressar a ''confiança no dom da liberdade''.
Visita
De Madaba, o papa voltou a Amã, onde visitou uma das maiores mesquitas da Jordânia, a Al Hussein ben Talal.
Bento 16 reconheceu a existência de tensões e divisões entre os membros das distintas tradições religiosas, mas afirmou que ''muitas vezes a manipulação ideológica da religião, às vezes com fins políticos, é o verdadeiro catalisador de tensões e de divisões e, às vezes, inclusive de violências na sociedade''.
''Esta situação obriga os fiéis a ser coerentes com seus princípios e suas crenças'', afirmou o papa no segundo dia de sua viagem à Terra Santa.
Bento 16 pediu esperança em uma terra marcada por conflitos. ''Sabemos que Deus que revelou seu nome a Moisés, como prova de que estaria sempre ao nosso lado, nos daria a força para preservar uma esperança feliz, mesmo em meio aos sofrimentos, desafios e tribulações''.


