O cardeal brasileiro Aloísio Lorscheider, que participa a partir de hoje no Vaticano do Consistório extraordinário reunido por João Paulo II, disse em uma entrevista ao jornal francês A Cruz que o Papa está ‘‘prisioneiro dos círculos que estão ao seu redor’’.
‘‘O Papa está prisioneiro desses círculos, que o cortam da base. João Paulo II tem feito muitos esforços para mudar as coisas. No entanto, não creio que tenha conseguido’’, afirmou o cardeal de 76 anos de idade, uma figura importante do episcopado brasileiro.
‘‘Uma certa centralização na Igreja parece, atualmente, não levar em conta nenhuma das decisões conciliares: o colegiado desejado pelo Vaticano está longe de ser uma realidade’’, acrescenta o cardeal na entrevista.
O cardeal Lorscheider presidiu o episcopado brasileiro de 1972 a 1979. Se consagrou como defensor dos direitos humanos e seguidor da teologia da libertação. Atualmente deseja valorizar a missão dos bispos.
‘‘Esta semana em Roma pedirei, sobretudo, que a organização central da Santa Sé escute mais aos bispos, para poder oferecer um melhor serviço ao Povo de Deus. As decisões do Vaticano não são aplicadas e todos sofremos com uma lenta burocracia’’, lamenta.
Esta é a sexta vez desde o início de seu pontificado, que João Paulo II, de 81 anos, convoca uma assembléia extraordinária do Colégio de cardeais.
Perguntado sobre o risco de que este consistório seja a ocasião para alguns prepararem a sucessão do soberano pontífice, o cardeal Lorscheider disse que os ‘‘manobreiros são sempre os perdedores’’.
‘‘Os que quiserem utilizar este consistório para apresentar um candidato e preservar interesses de carreira estão equivocados, porque o Espírito Santo, em cuja ação cremos, reserva sempre surpresas durante um conclave’’, afirmou.
Ontem, o Papa João Paulo II, que completou 81 anos na sexta-feira, mostrou-se em boa forma diante de quase 2 mil fiéis de uma paróquia do Sul de Roma, onde oficiou uma missa e pediu para que orassem para que ele possa prosseguir com sua missão.

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