France PresseJoão Paulo II: fé na transição para a democracia na Ilha de CubaO papa João Paulo II, relembrando uma histórica viagem à Polônia que inspirou opositores do comunismo, disse ontem no Vaticano esperar que sua visita deste mês a Cuba produza resultados semelhantes. Seus comentários contrastaram fortemente com os de Fidel Castro no fim de sua visita no domingo, quando o presidente cubano ridicularizou aqueles que esperavam que a viagem pudesse levar ao fim do comunismo em Cuba.
‘‘Minha visita à Cuba me faz lembrar muito a minha primeira visita à Polônia em 1979’’, afirmou o pontífice, falando em polonês, sua língua materna, em sua audiência geral semanal. ‘‘Espero por meus irmãos e irmãs naquela bela ilha que os frutos dessa peregrinação sejam similares aos frutos da peregrinação à Polônia’’, acrescentou.
Historiadores crêem que a primeira visita do papa à sua terra natal, um ano depois de sua eleição em 1978, deu coragem aos poloneses para formar o sindicato livre Solidariedade. Apesar de tentativas de esmagá-lo sob uma lei marcial, o Solidariedade manteve sua luta e, vencendo as eleições de 1989, ajudou a deflagrar o efeito dominó que viu os governos comunistas caírem em toda a Europa Oriental.
‘‘Este comentário, vindo apenas três dias depois que partiu de Havana, confirma que o papa acredita que ele abriu espaço no longo processo de evolução e transição política em Cuba’’, disse em Washington o autor Tad Szulc, que escreveu grandes biografias tanto do papa quanto de Fidel.
Enquanto a Igreja católica em Cuba desfruta de muito menos influência do que tinha na Polônia quando o país era comunista, Szulc e outros têm traçado paralelos entre as viagens. Como na Polônia em 1979, a Igreja católica em Cuba é a única instituição no país, além do governo comunista com sua vasta estrutura.
Durante a viagem, que trouxe ventos de liberdade sem precedentes a Cuba, o papa defendeu os direitos humanos, criticou o sistema de partido único e falou dos prisioneiros políticos. Em seu principal discurso, o papa disse que a viagem era um ‘‘grande evento’’ de reconciliação espiritual, cultural e social. Ele afirmou que ela mostrava que a cultura da ilha havia permanecido de coração cristã, apesar de quatro décadas de marxismo.
O pontífice também condenou diversas vezes o embargo econômico dos EUA contra a ilha mas afirmou que os cubanos não podiam culpá-lo por todos os problemas. Ele disse aos peregrinos ontem que estava feliz por ter sido capaz de rezar o Evangelho lá, dando aos cubanos ‘‘uma mensagem de amor e verdadeira liberdade’’, e agradeceu a Fidel por ter tornado possível a viagem. ‘‘A visita papal deu voz à alma cristã do povo cubano’’, declarou.

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