Papa enfrentará alguns problemas na Polônia
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quinta-feira, 29 de maio de 1997
Michel Viatteau, da France Presse 
VARSÓVIA - Em sua nova visita pastoral à Polônia, que começa amanhã, João Paulo II encontrará um país onde três grandes questões - concordata, Constituição e direito ao aborto - colocam frente à frente os católicos com a esquerda e com os liberais, a quatro meses das eleições legislativas (setembro).
A oposição conservadora e católica agrupada em torno do sindicato Solidariedade espera obter o apoio do Papa ou pelo menos interpretar suas palavras como tal.
Por sua vez, os social-democratas (ex-comunistas) aproveitarão sua posição no governo. O presidente e o primeiro-ministro, que pertencem ao partido e receberão o Papa, procurarão mostrar que têm excelentes relações com o Sumo Pontífice.
Mas sua tarefa não será fácil. O setor que tentou favorecer a ratificação da concordata com o Vaticano, bloqueada há quatro anos, fracassou. Não aceitaram compromissos nem os parlamentares de esquerda, apoiados pelo eleitorado anticlerical, nem a Igreja Católica.
A divisão já foi clara durante a campanha pelo referendo constitucional. O sindicato Solidariedade e a direita extraparlamentar, que optaram pelo não à nova lei fundamental, tiveram o apoio explícito do episcopado. Assim como na eleição presidencial de 1995, quando os bispos apoiaram Lech Walesa contra Aleksander Kwasniewski, a Igreja Católica preferiu o confronto no terreno político e foi derrotada.
Os social-democratas podem ufanar-se de ter conseguido que a Constituição fosse aprovada seis dias antes da visita do Papa, cuja simples presença teria podido mobilizar mais os católicos se o referendo ocorresse mais tarde.


