Lourdes O Papa João Paulo II fez um apelo ao respeito à vida, contra o aborto e contra a eutanásia, ante uma multidão de peregrinos que aplaudiu sua tenacidade ontem em Lourdes (sudoeste da França), última etapa da peregrinação de dois dias ao Santuário, antes de retornar a Roma
''Peço a todos vocês fazerem todo o possível para que a vida, toda vida, seja respeitada, desde a concepção a seu fim natural'', inisistiu o Santo Padre. Enfraquecido pelo mal de Parkinson, João Paulo II, 84 anos, teve muitas dificuldades para concluir ou discurso durante missa de quase três horas. A certa altura, o Papa interrompeu a fala para pedir ajuda a seu secretário, Mieczyslaw Mokrzycki, que lhe deu de beber. ''Devo continuar!'', disse o Papa em polonês.
Ontem à noite, o cortejo papal deixou a cidade para o aeroporto vizinho de Tarbes, de onde o avião de João Paulo II decolou para Roma. Segundo estimativas, entre 200 e 300 mil pessoas estiveram em Lourdes para comemorar com o Papa a festa da Assunção de Nossa Senhora, sob um forte esquema de segurança. Cerca de três mil policiais foram mobilizados para a visita do Papa.
''Irmãos, irmãs, a Virgem está falando'', declarou João Paulo II no início do discurso, pronunciado em francês. O Papa, recebido no sábado pelo presidente da França Jacques Chirac, pediu mais ''liberdade, igualdade e fraternidade'' no mundo, ilustrando assim a proximidade das posições da França e do Vaticano, que pregam ambos o diálogo intercultural e religioso.
Durante seu discurso, o Santo Padre se dedicou a outro de seus assuntos favoritos: o respeito à vida. ''Faço um apelo especial a vocês, mulheres. Em nossa época tentada pelo materialismo e pela secularização, vocês são testemunhas dos valores essenciais. Cabe a vocês, mulheres, serem as sentinelas do invisível'', exprimiu o Papa por metáforas.
''Ouçam, vocês, os jovens; vocês que buscam uma resposta capaz de dar um sentido a sua vida. É uma resposta exigente, mas é a única válida. Nela reside o segredo da paz e da verdadeira felicidade'', prosseguiu.
No sábado, o Papa foi vítima de um mal-estar quando esteve na Gruta de Massabielle, onde a Virgem Maria teria aparecido em 1858 à jovem Bernadette Soubirous. De lá para cá, a Igreja já reconheceu 66 curas milagrosas na cidade. ''Saúdo vocês, caros doentes, com uma afeição toda especial, vocês que vieram a este lugar santo para buscar regeneração e esperança. Que a Virgem lhes faça perceber sua presença e conforte seus corações'', declarou João Paulo II.
O Papa já havia visitado Lourdes em 15 de agosto de 1983, dois anos depois de ter ficado ferido em um atentado, e havia afirmado então que a Virgem Maria tinha salvado a sua vida desviando as balas.
Quinze cardeais, 30 bispos estrangeiros, 71 bispos franceses e centenas de padres assistiram à missa papal. Os ministros franceses do Interior, Dominique de Villepin, e da Saúde, Philippe Douste-Blazy, também presenciaram o evento, assim como vários parlamentares. A visita ao Santuário de Lourdes contabilizou a 104 viagem internacional do Papa João Paulo II, sendo que foi a oitava passagem do Santo Padre à França.

mockup