France Presse
De Tel Aviv
Em meio a um céu cinzento e a uma chuva intermitente, mas principalmente com muita emoção, o Papa João Paulo II foi recebido ontem em Israel. A pista de pouso do aeroporto Ben Gurion estava repleta de personalidades – que esperavam apertar as mãos do Santo Padre –, além de 700 agentes de segurança e de bandeiras israelenses e do Vaticano.
Com 30 minutos de atraso em relação ao horário previsto, o Airbus 320 da companhia aérea jordaniana que trazia João Paulo II de Amã, apareceu no céu de Tel Aviv.
Vestido com a tradicional batina e capelo brancos, o chefe da Igreja Católica desceu lentamente a escada do avião, apoiando-se bengala. Ali foi recebido pelo chefe de Protocolo da chancelaria israelense, Sammy Teveth, e do núncio apostólico de Israel (representante do Vaticano), monsenhor Pietro Sambi.
Três toques de trombeta soaram então para saudar o ilustre visitante e outros três para o presidente israelense, Ezer Weizman, além de dois toques para o primeiro-ministro do Estado judeu, Ehud Barak.
João Paulo II beijou então e benzeu a terra israelense colocada num recipiente que lhe foi entregue por três crianças - Dafna Bar Sadeh, uma menina judia de 11 anos, Mario Hadar, cristão de 10 anos, e Walid Sitawi, muçulmano de 11 anos.
Sentado numa ampla cadeira que foi levada à pista para permitir que descansasse, o Papa ouviu os hinos nacionais de Israel e do Vaticano, e em seguida apertou a mão de dezenas de personalidades.
Depois caminhou por um longo tapete vermelho, ao final do qual o esperavam as autoridades israelenses, em maioria integrantes do Gabinete e representantes de todos os cultos, enquanto 72 soldados representando as três armas lhe prestavam homenagens.
‘‘Bem-vindo à Terra Santa’’ disse o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak. Os únicos ausentes na cerimônia de boas-vindas eram os quatro ministros do partido ultraortodoxo Shass, que conta com 17 deputados no Knesset (Parlamento) e os dois grandes rabinos de Israel.
Chegou então o momento dos discursos: primeiro, do presidente Weizman e, depois, do Papa. ‘‘Queridos amigos israelenses, ontem, nas alturas do monte Nebo, olhava esta terra bendita sobre o vale do Jordão. Com uma profunda emoção removo hoje (ontem) a terra escolhida por Deus para ‘levantar sua morada’ tornando possível que o Homem a encontrasse diretamente’’, disse o Papa, concluindo o discurso com a palavra ‘‘Shalom’’ (paz).
Falando em hebraico, O presidente israelense, Ezer Weizman descreveu o papa como ‘‘um homem de paz e um artífice da paz’’ e homenageou o pontífice por sua luta contra o anti-semitismo.

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