Papa é criticado por nacionalistas indianos
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domingo, 06 de julho de 2003
France Presse 
Madras O movimento radical indiano mais importante do país acusou o papa João Paulo II de interferir nos assuntos internos da nação e criticou ''o estímulo aos bispos para que ignorem as leis anticonversão religiosa da Índia''.
O grupo Rashtriya Swayamsewak Sangh (RSS) afirmou que o papa pedira em maio passado, durante uma reunião de bispos da Índia no Vaticano, que estes evangelizassem o país e ignorassem as leis locais que proíbem a conversão religiosa. O grupo, próximo ao partido no poder, acrescentou que João Paulo II também criticara a liberdade religiosa do país da Ásia.
O RSS, que finalizou ontem dois dias de reuniões no Sul da Índia, definiu as declarações do Papa como ''de interferência'' nos assuntos internos da nação. ''A posição de João Paulo II é um desafio direto à soberania indiana'', afirmou o RSS.
O secretário-geral do Conselho Cristão da Índia, John Dayal, defendeu o papa, frisando que João Paulo II apenas expressou sua preocupação com a liberdade religiosa na Índia.
''Em maio, o papa falara à delegação da igreja indiana, no Vaticano, que se preocupava com as leis que defendiam a proteção da liberdade religiosa no país mas, na realidade, as suprimiam'', ressaltou Dayal à AFP. ''Acho que o papa, como líder espiritual da Igreja católica, pode expressar sua preocupação sobre qualquer lugar em que seus seguidores estejam sob coação'', acrescentou.
Os cristãos representam apenas 2% da população da Índia. O RSS e outras organizações indianas acusam os missionários católicos de converter a população ao cristianismo. Do seu lado, a Igreja acusa o RSS e suas organizações associadas de assassinarem vários missionários enviados à Índia.


