Vaticano - Em sua primeira homilia após ser eleito papa, Francisco pediu ontem que a Igreja não se esqueça de que sua missão primária é proclamar a mensagem de Jesus Cristo. "Nós podemos caminhar como queremos, podemos construir muitas coisas, mas, se não confessamos Jesus Cristo, algo está errado. Tornamo-nos uma ONG piedosa, mas não a Igreja, a esposa do Senhor." Também afirmou que é preciso "andar sempre na presença do Senhor, tentando viver de forma irrepreensível".
Citando o escritor francês Leon Bloy, que escreveu que "quem não reza para Deus reza para o diabo", o papa advertiu que "quando não se confessa Jesus Cristo, se confessa o mundanismo do diabo, o mundanismo do demônio".
A mensagem foi falada em voz calma, pausada, mas com firmeza, aos cardeais e a um grupo de convidados leigos, funcionários do Vaticano. A homilia durou apenas cinco minutos e foi feita toda de improviso - em vez de ler um texto sentado na cátedra, dirigiu-se à estante de leitura de onde pregam os padres e bispos em suas igrejas. Falar improvisadamente é uma mudança clara em relação ao papa emérito, Bento 16, que sempre lia o conteúdo de suas mensagens.
A construção da homilia, um convite incisivo à fidelidade, foi baseada nas três leituras do dia, que falavam da caminhada de Abraão e da edificação da Igreja. "Eu gostaria que todos nós, depois desses dias de graça, tivéssemos a coragem de caminhar na presença do Senhor, com a Cruz do Senhor, de construir a Igreja no sangue do Senhor, derramado na Cruz, e confessar a única glória, Jesus Crucificado", disse Francisco, ao se dirigir aos cardeais leitores e não eleitores, reunidos na Capela Sistina, onde ele foi eleito papa na quarta-feira.

Reação
O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Raymundo Damasceno, afirmou ontem que o papa Francisco confirmou que visitará o Brasil em julho para a Jornada Mundial da Juventude. Nem bem terminado o conclave, d. Damasceno saiu na manhã de ontem no Vaticano para comprar jornal. "Eu estava muito curioso para saber qual é a reação mundial dessa eleição", afirmou d. Raymundo.
"Eu tive a oportunidade de falar com Bergoglio (papa Francisco) e ele me disse ontem (quarta-feira) mesmo que vai ao Brasil", destacou o cardeal brasileiro, que participou do conclave. "Eu o conheço muito bem. E trabalhamos juntos em Aparecida. Foi uma grande escolha", afirmou d. Damasceno.
O cardeal brasileiro também disse que o argentino foi ganhando votos à medida que a eleição ocorria, num pleito em que ele não era favorito. "Bergoglio veio surgindo. E foi uma bela surpresa", completou Damasceno, que, com um saco de jornal na mão, voltou ao Vaticano.

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