Papa diz que igreja deve ser misericordiosa e acolhedora
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Agência Estado 
O papa Francisco advertiu, nesta quinta-feira (19), que a estrutura moral da igreja católica pode "cair como um castelo de cartas" se não equilibrar suas regras divisionistas sobre aborto, gays e contracepção com a necessidade maior de torná-la um lugar misericordioso e mais acolhedor para todos.
Após seis meses de papado, Francisco falou sobre sua opinião sobre a igreja e suas prioridades como papa. As declarações foram dadas em uma entrevista longa e extremamente franca à La Civiltà Cattolica, revista italiana jesuíta, publicada, simultaneamente, nesta quinta em jornais jesuítas em 16 países.
Na matéria, Francisco amplia seus comentários inovadores sobre gays e reconhece alguns de seus próprios erros. Ele falou sobre os compositores, artistas, autores e filmes favoritos (Mozart, Caravaggio, Dostoiévski e "La Strada", de Fellini) e disse que reza mesmo quando está no consultório do dentista.
No entanto, a opinião do papa sobre o que a igreja deve ser destaca-se, principalmente, porque contrasta fortemente muitas das prioridades de seus antecessores imediatos, João Paulo II e Bento XVI. Como intelectuais, os dois acreditavam que a doutrina era suprema, orientação que guiou a seleção de uma geração de bispos e cardeais em todo o mundo.
Francisco disse que o ensino dogmático e moral da igreja não são equivalentes. "O ministério pastoral da igreja não pode ser obcecado com a transmissão de uma série incoerente de doutrinas a serem impostas insistentemente", disse. "Temos de encontrar um novo equilíbrio, caso contrário até mesmo o edifício moral da igreja deve cair como um castelo de cartas, perdendo a frescura e a fragrância do Evangelho".
Em vez disso, ele afirmou que a igreja católica deve ser como "um hospital de campo após a batalha", cuidando das feridas de seus fiéis e saindo para encontrar os que foram machucados, excluídos ou que se afastaram.
"É inútil perguntar a uma pessoa seriamente ferida se ela tem colesterol alto ou seu nível de açúcar no sangue!", disse Francisco. "Você tem de cuidar de suas feridas, depois podemos falar sobre o restante".
"Algumas vezes a igreja se fecha em pequenas coisas, em regras mesquinhas", lamentou ele. "A coisa mais importante é a primeira proclamação: Jesus Cristo nos salvou e os ministros da igreja devem se ministros da misericórdia, acima de tudo."
Francisco, o primeiro jesuíta a se tornar papa, foi entrevistado pelo editor da Civiltà Cattolica, reverendo Antonio Spadaro, durante três dias de agosto no hotel do Vaticano, onde Francisco escolheu viver. O Vaticano examina todo o conteúdo da publicação e o papa aprovou a versão em italiano da matéria.


