France Presse
O Papa João Paulo II lançou ontem, em Varsóvia, um apelo por ‘‘novas iniciativas urgentes’’ para a integração européia, considerando que a unidade do continente está ameaçada por ‘‘novas divisões’’ e pela perda dos valores espirituais.
No primeiro discurso político pronunciado por um papa diante de um Parlamento Nacional, João Paulo II deu uma verdadeira lição de política a uma Europa que, segundo ele, tem a tendência de absorver sem discernimento um modelo de vida baseado no consumo.
Amplamente aclamado, o Papa falou ante os 560 deputados das duas câmaras do Parlamento polonês, o presidente Aleksander Kwasniewski, o primeiro-ministro, Jerzy Buzek, todo o governo, representantes da Justiça e de outras crenças religiosas, bem como do corpo diplomático.
Em seu longo discurso, o Papa disse que os democratas europeus não poderão estar presentes no mundo se esquecerem seus valores espirituais. Evocando o papel do sindicato Solidariedade na queda do consumismo e da União Soviética, João Paulo II informou que este acontecimento havia ‘‘criado uma ocasião histórica para que o continente europeu, ao abandonar definitivamente as barreiras ideológicas, recorra ao caminho da unidade’’. ‘‘Mas, no lugar da comunidade espiritual esperada, assistimos a novas divisões e novos conflitos’’.
A sexta-feira foi uma jornada política na peregrinação de treze dias do Papa à Polônia. Depois do almoço com os bispos poloneses, o Papa rezou pelas vítimas do genocídio na Umschlagplatz, lugar onde os nazistas organizaram a deportação dos judeus do gueto de Varsóvia. Em seguida, ele fez uma oração pelos poloneses deportados para a Sibéria pelo regime soviético.

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