Cidade do Vaticano - O papa Bento XVI elogiou ontem a solidariedade e denunciou a ''lógica dominante do lucro'', que aumenta a desigualdade, durante sua visita à diocese de Valletri, cerca de 30 km a sudeste de Roma.
''A lógica do lucro, se for dominante, aumenta a desproporção entre pobres e ricos e também uma ruinosa exploração do planeta'', disse o Papa durante a cerimônia religiosa na catedral que foi sua diocese antes de ser eleito sucessor de João Paulo II.
''Quando a lógica dominante é, por outro lado, a da partilha e da solidariedade, é possível corrigir o caminho e voltá-lo para um desenvolvimento equitativo para o bem comum de todos'', acrescentou.
''No fundo, trata-se de decidir entre egoísmo e amor, entre justiça e desonestidade, em definitivo entre Deus e Satã'', afirmou Bento XVI. ''A vida sempre é uma escolha: entre honestidade e desonestidade, entre fidelidade e infidelidade, entre egoísmo e altruísmo, entre o bem e o mal''.
''Por tanto uma decisão fundamental é necessária: a escolha entre a lógica do proveito como último critério de nossas atuações e a lógica da partilha e da solidariedade'', concluiu o pontífice.
O Papa aproveitou a visita a sua antiga diocese para presentear os fiéis com uma coluna de bronze de quatro metros de altura oferecida a ele em 2006 durante sua viagem à Alemanha por cidades bávaras que queriam homenageá-lo em sua passagem por sua terra natal e por seu aniversário de 80 anos, no dia 16 de abril de 2007.
Duas horas depois, Bento XVI voltou a se referir à doutrina social da Igreja durante a oração do Angelus em sua residência de veraneio de Castel Gandolfo, nos arredores de Roma.
''O dinheiro não é 'desonesto', mas mais que qualquer outra coisa pode colocar o homem em um egoísmo cego. Trata-se portanto de realizar uma espécie de 'conversão' dos bens materiais: em vez de utilizá-los apenas para o interesse próprio é preciso pensar também nas necessidades dos pobres'', disse o Papa. ''O lucro é, naturalmente, legítimo e, se aplicado com mesura, necessário para o desenvolvimento econômico'', concluiu Bento XVI.

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